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Macei� vira destino final do tr�fico

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No mundo do crime, o fim de semana em Maceió começa na quinta-feira, dia em que chegam as ?cargas?. Cada traficante já fez sua encomenda, que será entregue em vários pontos da cidade, de formas diversas. Um sinal visível é o aumento do número de táxis, e outros veículos, entrando e saindo, por exemplo, da Rua São Sebastião, no bairro do Bom Parto. Mas o fluxo se intensifica também em outros bairros, como no Vergel do Lago, Clima Bom, Feitosa, Jacintinho, Virgem dos Pobres, Trapiche, chegando a área nobre, em bairros como Ponta Verde e Pajuçara. Nesses últimos a movimentação é ainda maior se estiver marcado qualquer show. Da mesma forma que grandes quantidades de crack, maconha e cocaína chegam nas quintas-feiras, um dia antes, ou seja, nas quartas-feiras, quem compra tem que estar com o dinheiro para quitar a dívida. Seja traficante ou usuário, quem está no mundo das drogas sabe que quarta-feira é o ?Dia D?. É o dia em que os milhões do tráfico passam de uma a outra mão, no movimento criminoso de distribuição e consumo de entorpecentes. Maceió, que antes era usada como rota, é hoje uma área de comércio estabelecido. Tanto que são cada vez maiores as quantidades apreendidas pela polícia. Numa operação realizada em agosto último, policiais da Delegacia de Repressão ao Narcotráfico (DRN) apreenderam 15 quilos de crack e três quilos de maconha. Cinco pessoas foram presas. A droga foi transportada de carro, o veículo Stillo de cor cinza e placa NHK-7773, de São Vicente Ferrer, no Maranhão, até a casa de número 31 B, na Travessa São João, no bairro do Feitosa. Jovem simula roubo para comprar droga A apreensão de drogas realizada em agosto representou um duro golpe nas finanças da quadrilha do traficante Paulo Gordo, um dos chefões do tráfico em Maceió. Segundo o delegado Ronilson Medeiros, titular da DRN, as primeiras informações revelaram que o bando é ligado ao traficante, que está preso, condenado por tráfico. Na operação, a polícia apreendeu uma lista com nomes de pessoas para quem a droga seria distribuída, segundo o delegado, no Feitosa, Jacintinho e bairros adjacentes. Elas são os ?braços? da quadrilha de Paulo Gordo, um dos chefões de Maceió. O aumento da quantidade de cocaína que chega a capital alagoana fez baratear o preço do grama, medida para a venda no varejo. Se há um ano os usuários desse entorpecente estavam na classe média e alta, hoje já há gente da ?plebe? cheirando o pó. O aumento do consumo fez o preço do grama baixar de R$ 100 para valores que vão de R$ 50 a R$ 30. Quanto mais baixo o preço, menor a qualidade do produto. Vendas são feitas à luz do dia e desafiam polícia O consumo de drogas tem gerado inúmeros problemas para as famílias alagoanas, principalmente em Maceió. Os dramas enfrentados pelos pais são cada vez mais frequentes. O desespero toma conta de um número cada vez maior de famílias, como um casal, ele médico, ela funcionária pública federal, cuja filha, uma menina de 11 anos, por pouco não morreu durante uma overdose de cocaína e álcool nas proximidades de uma escola de classe média, no bairro da Gruta. A menina, e uma amiga da mesma idade, foram atendidas pelo Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu), e levada ao Hospital Geral do Estado. O caso foi registrado há cerca de um mês. As duas estão internadas em São Paulo. Como ocorre em todo País, o Estado de Alagoas tem no tráfico de drogas um de seus grandes desafios. As batidas policiais em ?bocas de fumo?, localizadas na periferia de Maceió, como ocorria há uma década, já não são suficientes no enfrentamento com traficantes. Consumo de crack cresce entre idosos Organizadas, as quadrilhas de traficantes como Charlão, Aranha, Paulo Gordo, Caetano e Zé Moreno, de Oswaldo e Régia, se capitalizam utilizando seus tentáculos em outras modalidades criminosas. Há entre eles grupos especializados em assaltos a bancos, roubo de terminais eletrônicos e carros. O avassalador avanço do tráfico de drogas ? crack, cocaína e maconha, em Alagoas, é uma realidade que o poder público e a sociedade não podem mais se negar a discutir. A situação piorou consideravelmente, confirma a presidente do Fórum Permanente de Combate as Drogas, professora Noélia Costa. ?Temos que lamentar. As políticas públicas não funcionaram, nos últimos três anos não houve enfrentamento do problema?, declara ela, reconhecida pelo trabalho de orientação e assistência a usuários que desenvolve junto com dezenas de outros voluntários. ?Se o crime é organizado, nós sociedade devemos ser muito mais?, afirma Noélia, acrescentando que o crack avançou tanto em Alagoas que se tornou incontrolável. Desafio é identificar ?sócio-investidor? O serviço de informação do Grupo de Combate às Organizações Criminosa (Gecoc) tem a gravação de uma conversa entre um traficante e um distribuidor, na qual o primeiro diz que, naquela semana, não vai comprar nada. ?Tive uma perda grande, quase R$ 120 mil, irmão!?, revela o traficante, monitorado pelo Gecoc. Para o cidadão alagoano é simples indagar: se esse traficante está identificado, porque a polícia não vai prendê-lo? A explicação também é simples. Montar uma operação para prender um traficante não vai impedir que a droga continue chegando e sendo vendida. ?O tráfico é como uma hidra. A gente corta um tentáculo e ela regenera, criando outro para substituí-lo?, diz um oficial da PMAL, fazendo comparação do tráfico com o animal da mitologia grega com várias cabeças de serpente, sendo uma delas imortal, e corpo de dragão. Se suas cabeças fossem cortadas, elas voltavam a nascer. O planejamento policial tem como alvo a fonte, a origem da droga. Os chefes de quadrilha costumam comprar, cada um, em média 15 kg de crack por semana. Saber de onda essa droga vem e quem traz para Alagoas é a ?missão impossível? que os agentes de segurança pública alagoanos tentam cumprir todo dia.

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