Polícia
Medo domina usu�rios
Na semana seguinte aos ataques que transformaram em cinzas ônibus do transporte coletivo que servem à população de bairros periféricos da capital alagoana, a reportagem da Gazeta tomou uma condução na parada do Maceió Shopping, com destino ao terminal do Benedito Bentes 1, e dialogou com diversos passageiros sobre a demorada e cansativa viagem à periferia. ?Que demora, meu Deus!?, exclamava uma passageira, queixosa do atraso de ?uma hora? do transporte que já deveria tê-la deixado perto de casa, no Conjunto Salvador Lyra. Às 22h30, o veículo para no ponto. Dezenas se aglomeram diante da porta. Não formam fila. Não seguem regras. Disputam espaço na miúda porta. Adentram. Pagam a passagem de R$ 2,10. Poucos cumprimentam o sorridente cobrador, que trabalha naquele trecho há mais de três anos. Com passageiros apinhados em espaço diminuto e desconfortável antes da borboleta, o condutor cerra a porta e pisa fundo. Dez minutos depois, o veículo chega à Praia de Jatiúca. Outros vinte minutos depois, está em Ponta Verde. A brisa do mar alivia, por alguns instantes, a feição de estresse de quem naquela condução estava. Quando o ônibus saiu da orla e seguiu rumo ao bairro de Jaraguá, já não comportava mais ninguém. Mesmo assim, recebeu novos viajantes. O silêncio entre os passageiros foi quebrado por uma senhora que falava ao telefone móvel. ?Filha, boa noite! Avisa ao teu pai que vá me esperar lá no ponto da madeireira. Não vou sozinha para casa!?.