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Pai quer entregar filho � pol�cia

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O assassinato do modelo Eric Ferraz, de 24 anos, na festa de réveillon em Viçosa, trouxe um início de ano trágico para duas famílias. ?Era melhor que o tiro fosse em mim. Se estivesse lá, eu me jogava na frente do meu filho e quem tinha levado o tiro era eu. Mais de 90% das pessoas de Viçosa sabem que eu faria isso para não deixá-lo cometer uma loucura dessa?. A frase do pai do rapaz que deu os disparos resume o drama vivido pela família. Se o acusado pelo homicídio fugiu, a família ficou, enfrentando as reações de revolta com o crime chocante. O comerciante Judarley Leite de Oliveira, 26, ainda está foragido, mas o pai dele, o ex-vereador Ailton Oliveira resolveu romper o silêncio, concedendo uma entrevista exclusiva à Gazeta de Alagoas, na sala da casa dele em Maceió. Ailton afirma que não sabe onde o filho está, mas garante que vai fazer de tudo para ele se entregar à Justiça e pagar pelo grave erro que cometeu. ?Ainda estou com a cabeça voando, não sei o que se passou, se o meu filho estava louco, mas só quero que as pessoas que viram o que aconteceu falem a verdade?, solicita o pai, descartando a acusação de que outro filho dele, o policial civil Jaysley de Oliveira, teria contribuído com o crime. Em meio a versões sobre o episódio, relatos dão conta que Jaysley teria dado um soco no modelo e Judarley teria pego uma arma na cintura do irmão para efetuar os disparos. Acusado responde por outros crimes O ex-vereador confirma que fica um sentimento de que está perdendo o filho, mas assegura que vai entregá-lo, repetindo a gesto que já tinha adotado quando Judarley respondeu pelo crime de tentativa de homicídio. ?Ainda não consegui fazer o que quero porque Judá sumiu e desligou o telefone, mas vou fazer igual da outra vez que ele fez besteira e eu o entreguei. O que ele deve, tem de pagar?, reforça o pai. Judarley tinha 16 anos quando brigou com um rapaz no clube da cidade e foi acusado de tentar matá-lo na rua, logo depois. Pela versão da família, ele estava indo embora para a casa, quando foi abordado por oito pessoas. ?Alguém entregou uma arma para o meu filho, que deu dois tiros em direção ao chão para se defender. Um dos tiros pegou na perna desse rapaz?, conta Ailton. Pai de modelo se acorrenta e faz greve de fome em Marechal JAMYLLE BEZERRA - REPÓRTER O pai do modelo Eric Ferraz, 24 anos, assassinado na madrugada do dia 1º no município de Viçosa, atraiu a atenção da população ontem na orla lagunar de Marechal Deodoro. Acorrentado a uma pedra, Edglemes Santos deu início a uma greve de fome. O objetivo do protesto foi chamar a atenção do governador Teotonio Vilela Filho, com quem o pai do jovem gostaria de conversar. ?Daqui eu só saio quando tiver um encontro marcado com o governador. Quero a garantia de que vou ser recebido. Pretendo conversar com ele sobre violência e pedir que esse crime não seja mais um a ficar impune?, afirmou. Cartazes escritos pela população que observava o ato desesperado de um pai que perdeu um filho para a violência iam se juntando às fotos e objetos pessoais de Eric Ferraz reunidos pelo pai do jovem e espalhados pelo chão. Tio de acusado diz que sobrinho tentou matá-lo FÁTIMA ALMEIDA - REPÓRTER A morte do modelo Eric Ferraz, na madrugada de ano novo, em Viçosa, reabriu as feridas do líder comunitário Gervásio Luiz de Oliveira Leite, 40 anos. Na perna direita, ele tem as marcas de uma tentativa de homicídio da qual foi vítima, no fim de 2008, crime praticado pelo sobrinho Judarley Leite de Oliveira, apontado pela polícia como o autor dos disparos que mataram o modelo. E com o mesmo sentimento que levou o pai de Eric a deflagrar, ontem pela manhã, uma greve de fome contra a impunidade, Gervásio também resolveu procurar a Gazeta e falar. ?Sei que estou arriscando a minha vida e a da minha família, mas ver esse pai desesperado, mais uma família chorando a morte de mais uma vítima desse rapaz me fez falar, na tentativa de pedir providências, para dar um basta nessa sequência de crimes. Se o governo e a Justiça não tomarem providências, eles não vão parar?, alerta Gervásio.

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