Polícia
Jovens s�o mortos durante jogo de futebol
Murici ? O jogo de bola no domingo à tarde terminou sem vitória. Ninguém gritou gol, não teve mais chute nem drible ou firula. A partida com dois times de quatro, na Rua Laécio Lins da Silva, em Murici, acabou de supetão. Antes de receber o passe, o adolescente Alisson Cavalcante da Silva, 17 anos, viu cinco homens armados chegando e começou a correr pelo campo de barro. O amigo de ?peladas?, Genisson Correia da Silva, 21 anos, o ?Pinduca?, não teve o mesmo tempo. Não conseguiu dar mais do que três ou quatro passos e foi executado com tiros no peito e na cabeça. Com fôlego de atacante, Alisson ainda avançou para a ?linha intermediária? que separa a vida e morte. Não conseguiu fugir da marcação cerrada dos atiradores. Tombou na ?linha de fundo? que separa o conjunto Antenor Maria da saída principal da cidade. Uma das vítimas estaria sendo ameaçada ?Elevo meus olhos para os montes: de onde me virá o socorro?/ O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra?. O trecho do Salmo 121 está pregado no alto da parede da casa de dona Josefa Maria da Silva, viúva há dois meses, que acaba de perder o filho Genisson ?Pinduca?. Ela levanta os olhos, revê o texto sagrado em meio a fotos do ?meu Padim Cícero? e de Nossa Senhora, respira fundo e se entrega ao pranto. A tristeza e uma ponta de arrependimento consomem a mãe. ?O meu filho ia embora daqui no sábado, mas ele estava com uma dor de dente e eu pedi para ele ficar, prumódi (sic) ir ao dentista. A gente ia hoje (na segunda-feira)?, lamenta Josefa. Pinduca dizia que estava ameaçado de morte. Tinha ido embora de casa há seis meses para morar na casa da avó, em Maragogi, mas a saudade apertou e o rapaz voltou para passar o réveillon com a mãe e as duas irmãs.