Polícia
Crime provoca dor e revolta
Cajueiro parou inteira, como árvore presa no meio do furacão. Já na entrada da cidade, todas as portas e janelas tinham pessoas cochichando. Olhares assustados e comentários de revolta tomaram as ruas do Centro. À margem do rio, a multidão de curiosos, revoltados e lamentadores não falava em outra coisa que não a triste sina da menina Ana Clécia. Afora toda dor, a família da garota ainda sofreu com agressões e maus tratos da própria Polícia Militar. Quando foi procurar ajuda, ainda no início das buscas, o pai de Clécia afirma que foi agredido por um policial com socos e empurrões. ?Ele disse que eu estava mentindo e veio bater em mim?, conta Rubens, que alega não lembrar o nome do PM, mas saberia reconhecê-lo. Mesmo sob o efeito de medicamentos controlados, a mãe não suportava a perda e a revolta por causa da humilhação sofrida no posto da PM. ?Eles vieram dizer que eu estava bêbada, mas nunca bebi na vida, eu tomo remédio controlado. A minha filha nunca saiu de casa sozinha, eu sempre cuidei dela. Ainda falaram que a gente estava mentindo, que a menina não tinha desaparecido coisa nenhuma. Bateram no meu marido, trataram a gente como bandido, como se não bastasse todo o nosso sofrimento?. MG