Polícia
Gerente fala do terror vivido durante assalto a banco
Meia-noite de domingo. A pacata Girau do Ponciano descansa para a segunda-feira. Jailson e Andréia adormecem assistindo à TV, num colchão posto na sala. Eles se sentem seguros por trás do muro alto, mas o sonho termina. O sono do casal é quebrado pelo barulho do arrombamento da porta da frente. O trinco rompe e se espatifa no chão; Jailson acorda assustado e logo se vê rendido por cinco homens encapuzados, com armas em punho. ?Não se mexa, não faça barulho, daqui a pouco vocês vão entender o que está acontecendo?. Uma voz tranquila destoa da cena nervosa. Jailson Alves de Moura é gerente da agência do Bradesco na cidade com 30 mil habitantes e os bandidos sabem disso. Sabem também que ele tem 35 anos, é pai de duas meninas de um primeiro casamento e mora apenas com a segunda esposa, Andréia Barbosa Vilela, de 28 anos. Jailson não imaginava que os invasores sabiam tanto da vida dele. Agradece a Deus por ter deixado as filhas com a ex-esposa, horas antes da invasão. Pensa: pelo menos as crianças estão salvas. Não é bem assim. A voz mais sossegada diz que segue todos os passos da família há dois meses, sabe onde as duas filhas moram e estudam, mas espera que nada de mau lhes aconteça. ?Só depende de você. Baixe a cabeça, não faça barulho?, repetia a voz. Jailson e Andréia são trancados num quarto. O marido chora, a mulher tenta se mostrar forte para contê-lo. O frio na barriga é inevitável, as pernas tremem, as mãos suam, os dedos gelam.