Polícia
HOMEM-BOMBA
?A imagem da explosão passou pela minha cabeça, pensei naqueles homens-bomba muçulmanos. Eu e minha esposa ouvindo aquilo, a gente se olhou, ela quis chorar, mas eu disse ?se acalme, vai dar tudo certo??. É difícil parar de pensar no terror daquela noite. Até hoje, o casal não dorme em paz. ?Fica na imaginação, não tem jeito, o trauma fica na cabeça, vem e volta?, relata Jailson. Às 4h da madrugada, chega o momento crítico. Alguém entra no quarto com os explosivos e manda o bancário ficar em pé. A colocação do artefato com rebite para fixar o metal dura mais de trinta minutos. ?Senti os impactos do rebite. É incômodo, bastante incômodo?. Jailson é informado que pode sentar e deve ter cuidado se quiser deitar, mas não deitou. Os encapuzados deixam a bomba e vão embora da casa. O galo canta, mas ainda é escuro. Falta pouco para as 5h da manhã. O casal está sozinho na casa vazia. É preciso três longas horas de espera até o horário em que Jailson sempre chega ao banco. O bancário tem um celular dado pelos bandidos e precisa manter contato de hora em hora. Às 6h30, a ligação dá na caixa postal. Mais terror. Será que algo deu errado? Pouco depois, o telefone toca e um bandido reclama, ameaça porque acha que o refém não cumpriu a ordem de ligar. Às 7h30, novo telefonema. Está quase na hora de sair de casa e seguir para a agência, que fica numa rua próxima.