Polícia
Jogos de azar financiam outros crimes
Os jogos de azar integram o rol das contravenções, cuja pena é menor do que um delito (ou crime) devido à natureza da infração. Os crimes podem ser punidos com pena de reclusão ou de detenção, seja isoladamente, seja alternativa ou somada ao pagamento de multa. Já a contravenção pode gerar uma pena de prisão simples, de multa ou ambos ? seja ela alternativa ou cumulativa. No entanto, a facilitação do jogo pode ser julgada como um crime quando outros delitos são ligados à prática das apostas. ?Esse dinheiro serve para a efetuação de outros delitos, como a corrupção?, explica o promotor Alfredo Gaspar de Mendonça. Os jogos clandestinos podem envolver até mesmo quem deveria combatê-los. ?Policiais e fiscais também são constantemente comprados pelo crime organizado. Somente assim, casas de jogos clandestinos podem conseguir alvará de funcionamento, apesar de suas práticas serem ilegais?, denuncia. O dinheiro obtido com os jogos é utilizado também no tráfico de drogas e na facilitação de outros crimes. Muitas máquinas de bingos eletrônicos e caça-níqueis são importadas ilegalmente. Mas, para que seja determinada a sua origem e a prática de outros delitos (como tornar a vitória impossível ao jogador), é necessário um laudo pericial. A demora nos resultados tem emperrado os processos. Não há regulamentação para essa prática, cujas principais vítimas são mulheres idosas, por serem vulneráveis. Segundo o promotor, o Gecoc tem informações de que três quadrilhas de jogos de azar atuam em Alagoas. No entanto, não há indícios de que haja uma ramificação no Estado do grupo de Carlinhos Cachoeira, bicheiro que ganhou notoriedade na mídia nacional pela suposta ligação com governadores e veículos midiáticos. KC