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Pol�cia desarma mais cidad�os do que bandidos

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Revólveres, pistolas e espingardas, inclusive de calibre 12. O alagoano insiste em andar armado e a repressão policial parece não assustar ninguém. Nos últimos dez meses, a Polícia Militar fez a apreensão de mais de 800 armas de fogo, sem disparar um único tiro. O que deixa transparecer que não são quadrilhas de bandidos, e sim, o cidadão comum que tem perdido sua arma e, apesar de não ter ficado preso, será processado pela Justiça. Outro fator que demonstra não serem os delinqüentes que estão sendo desarmados pela polícia é que nenhum fuzil ou arma de grande poder de fogo (metralhadora) foi apreendido, este ano. Das pistolas apreendidas somente uma era importada e estava em poder de uma autoridade. As taxas de incidência de troca de tiros nos momentos das apreensões, segundo o comandante da Polícia Militar de Alagoas, coronel Ronaldo Santos, caíram, em quase zero. Sua explicação para a ausência de confrontos é a forma como nossos policiais passaram a agir, ao invés de utilizar primeiramente a arma, ela é o último recurso?. A explicação do oficial vai além: a corporação ministra cursos de utilização do Bastão Perseguidor (uma espécie de cassetete), com enfoque em defesa pessoal, aperfeiçoando as técnicas de abordagem, deixando por último o uso da arma. Hoje a PM apreende três armas todos os dias, no Estado. Mensalmente, são recolhidas das ruas 82 armas. O mês de maior número de apreensões foi julho (51), somente em Maceió, e o menor foi janeiro (26) na capital de Alagoas, que teve uma quantidade recorde de apreensões em setembro, 87, em todo o Estado. De janeiro até 22 de outubro, foram apreendidas, em Maceió, 417 armas de fogo. No total geral, foram apreendidas 816, conforme os dados fornecidos pela Polícia Militar. Em outubro, até o dia 22, foram 61 armas. Segundo o coronel Ronaldo, o grande montante de armas apreendidas no Estado é resultado das facilidades que existem para se efetivar a aquisição. Médios Em Maceió, é possível comprar um revólver, uma pistola ou mesmo uma espingarda com um desembolso médio de R$ 1.500. Se quiser uma pistola importada do tipo Glock, o valor é um pouco maior: R$ 2.600. No caso de uma arma ilegal, sem registro ou procedência, os preços são menores. Um revólver pode ser adquirido entre R$ 200 e R$ 300 em qualquer feira livre ou na Praça Guedes de Miranda, em Ponta Grossa. Uma pistola de calibre 380, que tem grande aceitação entre os policiais, tem o preço que varia de R$ 700 a R$ 1.200, dependendo do estado de conservação. Outro fato observado pelo coronel Ronaldo são as benesses da legislação, pois o porte ilegal de arma é regido conforme os crimes de menor potencial ofensivo, sendo necessário apenas a lavratura do Termo Circunstanciado de Ocorrência, e liberação da pessoa que ilegalmente portava a arma de fogo. O acusado não passa mais de meia hora na delegacia e o caso só começa a ser investigado seis ou sete meses depois. Ou seja, se a pessoa for flagrada com uma arma de fogo hoje só começará a acertar contas com a Justiça no segundo semestre do ano que vem. Operações O secretário de Defesa Social, Antônio Arecippo, acredita que se o governo federal tomasse uma decisão mais firme quanto à questão do porte ilegal de arma de fogo, haveria uma queda drástica nos índices de criminalidade. Para ele, era preciso intervir na questão da comercialização e do contrabando. Exigir mais do postulante à compra de uma arma de fogo e não o simples ?nada consta? da Justiça e documentos pessoais, como ocorre. Atualmente, qualquer pessoa, desde que não esteja respondendo a processo, pode adquirir e registrar uma arma de fogo que, nem sempre, tem uma destinação legal e acaba caindo nas mãos de marginais. O que está acontecendo em Alagoas é que a classe média começou a se armar como forma de se defender, e como andar armado se tornou uma questão cultural, isto há bastante tempo no Estado, pessoas das mais variadas classes sociais cometem o crime, aparentemente sem se aperceberem do que estão fazendo. As explicações, ao serem flagradas e presas, são as mais descabidas possíveis e vão da simples alegação de que está sofrendo ameaça de um vizinho à afirmação de que passou a andar armado porque tudo mundo está se armando. O secretário Arecippo revela que realizar cada vez mais operações de combate à criminalidade está se tornando uma das soluções para minimizar o problema. Por isto, os comandos de fiscalização nas ruas e estradas alagoanas, incursões em favelas e blitzes diárias serão intensificadas, principalmente com a chegada de 500 novos militares nos batalhões e outros mil policiais civis. O secretário considera louvável o trabalho da Polícia Militar, mas não está satisfeito, pois ?precisamos fazer muito mais na repressão ao crime?. Os relatórios do Centro de Operações da Polícia Militar reforçam a tese de que é o cidadão comum, e não o bandido, que vem sendo desarmado no Estado. Por exemplo, no último fim de semana, Valdir Cândido dos Santos, 39, chamou a polícia para entregar um revólver Taurus calibre 38 cano médio, que ele tinha acabado de tomar de seu vizinho, Amaro Bila dos Santos, 48, porque estava sendo ameaçado de morte por ele. O fato ocorreu no Reginaldo. Em outro episódio, Fernando Antônio dos Santos, 36, foi flagrado com um revólver Rossi, calibre 38, no Jacintinho. Ele foi levado à Central Integrada de Atendimento Policial ao Cidadão (CIAPC III), em Cruz das Almas. Existem as prisões de adolescentes armados e até mesmo de pessoas envolvidas em pequenas infrações. Nestes casos, a PM consegue fazer as apreensões sem disparar tiros. O sargento PM Ednor, da Radiopatrulha, apreendeu um revólver calibre 38, marca Smith West em poder de quatro adolescentes, em Jaraguá. O caso acabou em TCO na Delegacia de Menores. Fabrício de Lima Bezerra, 21, Gildo Sampaio Costa Santos, 20, Alexandre Silveira Leite e Barnabé de Souza Lima, 34, detidos por terem arrombado uma lanchonete no Farol, acabaram também enquadrados num Termo Circunstanciado de Ocorrência. Com eles, a polícia apreendeu um revólver calibre 38, sem procedência.

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