Polícia
Posto de sa�de reabre, mas medo ainda impera
Estado: Alagoas. Cidade: Maceió. Bairro: Poço. Área de risco: Vale do Reginaldo, uma terra sem lei e sem saúde pública. O que a venda de crack e maconha pode ter a ver com o pré-natal da dona Maria ou o diabetes do seu Severino? Tudo. Por incrível que pareça, o atendimento básico de saúde está relacionado ao tráfico de drogas e foi interrompido por causa de uma guerra entre facções inimigas que disputam o controle das grotas e brenhas onde a polícia não entra. Desde quarta-feira da semana passada, nenhum agente comunitário, auxiliar de enfermagem ou médico do Posto de Saúde da Família (PSF) do Reginaldo entra no ?vale da morte? (como chega a ser chamado). O alarme foi feito pelos próprios moradores para as equipes de saúde. ?Os pacientes vieram nos alertar e pedir que a gente não fosse para a comunidade porque seria perigoso. Disseram que um chefão do tráfico tinha sido assassinado e outra facção tinha entrado em guerra porque queriam tomar o poder?, afirma a diretora médica Cláudia Carnaúba. O posto só foi reaberto ontem, para atendimento interno. As visitas continuam suspensas e o medo impera entre funcionários e pacientes. A diretora administrativa esclarece: ?É uma inverdade afirmar que os traficantes mandaram fechar o posto?. Pior, a ordem teria partido da própria Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Ao saber que poderiam levar um tiro, no meio da guerra das gangues, os profissionais do posto procuraram a SMS para relatar o pânico que viviam ao ingressar nas vielas e becos disputados pelos marginais.