Polícia
Desfecho para caso B�rbara Regina p�e pol�cia em xeque
Luz, câmeras, ação! O diretor acompanha atento a performance do ator, as falas devem seguir o roteiro à risca. A obra de ficção depende de uma série de peripécias, da pré-produção à montagem. E de um enredo com muita imaginação. Para a família da estudante Bárbara Regina Gomes da Silva, 21 anos, desaparecida após sair da boate Le Hotel, foi isso que aconteceu na entrevista coletiva montada pela polícia alagoana, há pouco mais de uma semana, para divulgar a ?reviravolta na elucidação? do crime, com base num único depoimento. ?Isto é coisa plantada, a polícia está mentindo, é uma infâmia?, aponta a avó da moça, Tereza de Jesus. ?A minha filha não é prostituta nem drogada, eu me sinto indignada, impotente, como vou lutar contra esses leões??, questiona Valéria Leite, a mãe. Estas duas mulheres têm coragem de enfrentar o sistema ou qualquer máfia para denunciar que Bárbara foi vítima de bandidos e, agora, seria vítima da própria polícia, por meio de uma presepada armada para mostrar serviço em tempos de ?Brasil mais Seguro?, em que as estatísticas e avaliações de performance para garantir verbas federais parecem ter mais valor do que a verdade. Tudo começou na madrugada de 1º de setembro, quando Bárbara foi vista pela última vez, no dancing da boate. Sete meses e quatrocentas páginas de processo criminal depois, surge do nada uma ?testemunha bomba?. Preso por outro crime, Tiago Handerson de Oliveira, 24, teria resolvido ?colaborar? e dizer que a prima dele, Vanessa Ingrid da Luz, tinha lhe contado que mandara matar e participara do sequestro, assassinato, esquartejamento, carbonização e ocultação do cadáver de Bárbara. Caramba, num estalar de dedos, o intrincado Caso Bárbara estava resolvido.