Polícia
Estado tem fim de semana violento
O gatilho da impunidade aperta a incompetência da segurança pública. A cada relatório do Instituto Médico Legal (IML), a pólvora das estatísticas explode os discursos, enquanto as balas atingem em cheio o coração das famílias das vítimas. É morte por cima de morte, sangue encharcando sangue, principalmente nos boletins de segunda-feira. Só no último final de semana, foram 16 assassinatos. Dos 25 cadáveres que deram entrada nos IMLs de Maceió e Arapiraca, entre 7h de sábado e 7h de ontem, 16 foram vítimas de homicídios. Histórias trágicas resumidas a números, no balanço frio do IML, que alimenta o sistema de estatística da Secretaria de Defesa Social (Seds) e é enviado para o Ministério da Justiça analisar como anda o Plano Brasil mais Seguro e decidir se envia mais alguns milhões para o Estado de Alagoas. Cada número desse tem uma história triste, uma tragédia que talvez pudesse ser evitada, como foi o caso do desempregado Luciano José de Lima, o Nem, 32 anos, três filhos, assassinado com sete tiros de revólver, na área da Torre, em Murici. A irmã dele, Ana Paula de Lima, estava assustada, ontem, no IML, quando esperava a liberação do corpo. ?Ele estava na casa da minha irmã e, quando saiu, três homens mandaram ele ir para trás de um colégio que tem lá. Quando chegou lá, que é meio deserto, deram quatro tiros no queixo, dois nas costelas e um no braço. A gente desconfia que foi envolvimento com droga, ele tinha se aperreado duas vezes, pedindo dez reais emprestado para pagar o que estava devendo?, lamenta a irmã.