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Onda de viol�ncia em conjunto no Tabuleiro

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Ródio Nogueira Uma onda de estupros e assaltos vem aterrorizando alunos das escolas Alfredo Gaspar de Mendonça e Corintho Campelo no Conjunto Eustáquio Gomes de Melo, na região do Tabuleiro, em Maceió. Somente ali, mais de 45 pessoas foram vitimas de assaltantes este ano e pelo menos duas estudantes foram atacadas e estupradas, segundo boletins policiais registrados no 10º Distrito Policial. Uma das vítimas está sendo acompanhada por uma psicóloga. A outra saiu de Maceió. Elas eram alunas da escola e foram estupradas, em companhia de um amigo, num campo de futebol, a cerca de 500 metros da escola. Apelo à polícia Apesar de Maria Lúcia, diretora da Escola Alfredo Gaspar de Mendonça, ter entregue pessoalmente um abaixo-assinado com 600 assinaturas ao comandante do 5º Batalhão de Polícia Militar instalado no Benedito Bentes, a corporação mandou apenas uma dupla fazer a segurança de centenas de alunos das duas escolas, que vêm denunciando a ausência de policiais. Um dos graves problemas, segundo denuncia, é a péssima iluminação. A presença de favelados também é motivo de preocupação. A existência de vários terrenos baldios nas adjacências do conjunto em áreas totalmente escuras tem sido a razão dos delitos constantes contra os estudantes. Temendo conseqüências, os alunos só saem da escola para casa em grupos. A polícia não confirma, mas está investigando um homem que é visto durante a noite circulando pelo conjunto. Pode partir dele os problemas que vêm ocorrendo no Eustáquio Gomes de Melo. ?Não vou para casa sozinho de forma nenhuma. Tenho medo de ser atacado pelos bandidos. Então, eu saio sempre acompanhado de muita gente?, afirma o estudante Paulo Edson Freitas Moraes. O delegado Manuel Bezerra garante que vai redobrar a vigilância. Tarado aidético Um aidético de aproximadamente 30 anos está sendo alvo de várias diligências que vêm sendo realizadas pelas polícias Civil e Militar. Segundo denúncias, ele é acusado de estuprar duas alunas da Escola Alfredo Gaspar de Mendonça. Enquanto o tarado mantinha relação à força com as jovens, o namorado de uma delas era obrigado a acompanhar tudo, sob a mira de um revólver. Para a polícia, ele é a pessoa que pode, com base em retrato falado, chegar ao aidético tarado. - As garotas eram alunas da Escola Alfredo Gaspar de Mendonça. Mas foram atacadas fora da escola, justamente em um campo de futebol. Uma deixou a escola e outra foi residir fora de Maceió. A informação de que um aidético está atacando procede sim -, alerta Maria Lúcia, diretora da Escola Alfredo Gaspar de Mendonça, que afirmou estar chocada com o que vem ocorrendo no Eustáquio Gomes de Melo. Também uma menina A diretora lembra que uma menina de nove anos, que reside no bairro, foi a terceira vítima do tarado. Ela foi atacada próximo à favela do Eustáquio, agredida, estuprada e abandonada em um matagal. A garota foi encontrada algumas horas depois, por um carroceiro. Ele comunicou o caso à polícia, que esteve no local e providenciou sua remoção para a Unidade de Emergência. A criança foi submetida a exame de conjunção carnal, ficando comprovado o estupro. ### Escuridão facilita as ações dos marginais O Conjunto Eustáquio Gomes de Melo, localizado próximo ao Instituto Penal São Leonardo, é um dos mais escuros de Maceió. Várias lâmpadas já foram destruídas por bandidos justamente para facilitar a ação deles. Apesar de a Superintendência Municipal de Iluminação Pública (Sima) ter conhecimento do problema ainda não providenciou a reposição das luminárias. Desafiando a polícia Embora muitos policiais ali residam, os bandidos não temem e encaram os próprios militares à luz do dia. Vários casos de assaltos foram registrados durante o dia. E alguns marginais chegaram a ser identificados, reconhecidos e presos. O populoso conjunto, que é cercado por favelas, apresenta total deficiência no que diz respeito à segurança. Moradores assustados ?Não saio da escola com menos de cinco colegas. Temendo ser alvo de ataques cada uma se vira como pode. Eu tenho sempre nas mãos um pedaço de pedra para jogar na cara de quem tentar me estuprar?, diz a estudante S.L., de 17 anos. Durante a noite as pessoas evitam sentar em suas portas por que temem ser assaltadas. No início do ano três elementos na mesma noite assaltaram três mercadinhos e fugiram em um Fiat Uno branco sem placa. Roubaram muitas mercadorias e nunca foram identificados pelos policiais civis e nem pelos militares. Um dos comerciantes assaltados tentou reagir e teve um revólver apontado para sua cabeça. Complicações ?Este conjunto é muito complicado e perigoso durante a noite. Agora, são os estudantes da noite que vêm sendo atacados pelos bandidos?, lamenta o aposentado Siloé Pereira, 65. Dois militares abordados sobre o caso disseram que faltam pessoal e estrutura operacional para se fazer um bom trabalho contra os marginais que atuam naquele conjunto. A Secretaria de Defesa Social garante que rondas são realizadas durante a madrugada nos locais denunciados pelos moradores do Eustáquio Gomes de Melo. O Comando de Operações Táticas, segundo a secretaria, faz rondas em todo o logradouro. Alguns elementos foram tirados de circulação por conta de delitos praticados. Os delegados Cícero Rocha, do 5º Distrito, e Manuel Bezerra, do 10?º Distrito, segundo policiais que trabalham com eles, alegam que fazem rondas todas as noites. Ações precárias ?Uma viatura com cinco policiais chega ao conjunto às 17 horas e às 22 horas vai embora. Fazem uma ronda muito fraca. A questão é grave e a PM precisa encontrar meios para efetivamente mandar para a cadeia os bandidos que ali atuam, a exemplo do tal aidético tarado, relata o comerciário Luiz Ferreira, que já teve a residência arrombada duas vezes. E sua filha de 15 anos foi atacada por um marginal e quase vítima de estupro. A cúpula da Polícia Civil informa que, com base nas denúncias, vai aumentar o número de policiais no serviço de ronda para prender os bandidos que vêm agindo no conjunto. O Departamento de Polícia da Capital (Depoc) anuncia que irá deslocar mais policiais civis para aquele local e que a prisão do tarado aidético é uma questão de horas. No entanto, as Polícias Civil e Militar esperam poder contar com a comunidade no que diz respeito a pistas dos marginais para que efetivamente possam começar a capturar os elementos que vêm impondo o terror no Eustáquio Gomes de Melo. Outros conjuntos Outros conjuntos residenciais em Maceió, como o Osman Loureiro, Benedito Bentes e o bairro do Clima Bom, também sofrem com a presença dos criminosos. As áreas escuras e próximas das escolas são as mais preferidas pelos marginais que, durante a noite, realizam ataques a jovens estudantes.

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