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Traficantes ditam regras em bairros de Macei�

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Maceió tem uma ?Faixa de Gaza?. As ruas que separam os conjuntos Denisson Menezes e Gama Lins são terra de ninguém, região cruzada por poucos, onde só faz a travessia quem está disposto a se arriscar ou não tem um pingo de juízo. As duas comunidades estão na área mais crítica do bairro Cidade Universitária, um dos mais violentos da capital que registra o maior índice de assassinatos do País, no estado onde a taxa de homicídios mais cresceu entre 2001 e 2011 (146,5%, segundo o estudo Mapa da Violência). Lá, quem manda são os traficantes, os líderes comunitários dizem que a polícia não entra, há territórios que moradores de outras comunidades não podem passar, as mães tiram os filhos da escola por causa das ameaças, o Centro de Referência em Assistência Social (Cras) e um espaço público anexo foram fechados por medo dos tiroteios, as crianças brincam de fabricar armas e formar gangues para ameaçar e machucar outras crianças. A disputa por território começa na escola, com meninos de 9, 10, 11 anos de idade. Ao contrário da outra ?Faixa de Gaza de Maceió?, criada no verão passado pela juventude burguesa, num trecho de areia entre as duas barracas mais caras da Praia de Ponta Verde, esta área da periferia ?ignorada?, é mais comparável ao território disputado por palestinos e israelenses, no Oriente Médio. Na Gaza criada numa campanha de marketing duvidoso, a única coisa que ?bombou? foi um clipe no YouTube, cantado por um galego alto, com jovens brancos e ricos, sugerindo que existe um universo à parte, na Ponta Verde, e que as coisas negativas, como a violência, podem ser deixadas de lado. Já no fim do mundo do outro lado da cidade, é impossível ignorar a violência. Em períodos de guerra entre as gangues, acontecem um ou dois tiroteios por dia, na entrada da escola, na frente do posto de saúde, dentro do espaço de lazer. O poder paralelo dita as regras: motociclistas só podem circular sem capacete, houve momentos em que mulheres do Gama Lins e de outras comunidades não podiam ser atendidas no Cras do Denisson Menezes, presidentes de associações são proibidos de conversar com policiais ou participar de reuniões para debater a violência urbana.

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