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AL tem 673 mortes violentas de menores em 9 anos

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O ouvidor-geral do Estado, Geraldo Majella, e o coordenador do Laboratório de Genética da Universidade Federal de Alagoas, professor Luiz Antônio, visitaram ontem o Centro Erê, para discutir a criação de um banco de dados dos menores assistidos pela entidade, que pode facilitar a identificação deles, em caso de desaparecimento, através de exames de DNA. De acordo com dados do Centro de Defesa Zumbi dos Palmares, revelados pelo Centro Erê, de 1990 a 1999, foram registrados no Instituto Médico Legal (IML) a morte violenta de 673 crianças e adolescentes em Alagoas. Durante a visita, Majella e Luiz Antônio se depararam com o caso do seqüestro do menor Damião da Conceição Barbosa da Silva, de 5 anos. Segundo a mãe do garoto, a catadora de papelão Maria Geni da Conceição, Damião desapareceu no último dia 18, por volta das 10 horas, nas proximidades da Barra Sete Coqueiros, na Pajuçara. Desaparecido ?Ele estava comigo e se afastou um pouco para pedir um pedaço de tapioca próximo a essa barraca. De acordo com o dono da barraca, conhecido como Café, um homem se aproximou do meu filho e depois o levou até o carro dele, um Fiat Palio, e desapareceu do local?. Geni denunciou o caso à Polícia, mas decidiu procurar ajuda do Centro Êre, que desenvolve um projeto no Dique Estrada, onde seu filho estuda. Até agora, ela não teve notícias do paradeiro do filho, que tem uma irmã gêmea chamada Damiana. ?Tenho seis filhos para criar, uma de apenas dois anos, e nunca deixei meu filho sair sozinho?, lamentou Geni. Ela e o marido sustenta a família catando pedaços de papelão. Segundo a coordenadora do Centro Êre, Cristina Nascimento, casos de desaparecimento de crianças e adolescentes, principalmente os que vivem nas ruas, são rotineiramente denunciados. O professor Luiz Antônio acredita que não seja difícil para essas entidades implantar esse banco de dados, através da coleta de amostra de sangue dos menores. Só no Centro Êre estão cadastradas mais de 215 crianças e adolescentes que vivem nas ruas. A falta de identificação de menores que são vítimas de assassinato, já que não possuem qualquer referência familiar, acaba estimulando a impunidade.

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