Polícia
Estado inicia ano com viol�ncia fora de controle
Dentro do manguezal, a mãe chora ao encontrar o corpo do filho de 19 anos, sujo de lama, e com três buracos de bala na cabeça. Cooptada pelo tráfico ainda criança, uma jovem de 17 anos é morta com mais de 20 tiros, em São José da Laje. No bairro do Trapiche da Barra, na madrugada, depois de uma saraivada de balas, moradores encontram estendidos no chão três garotos: um dos 16, um de 14 e o outro de 12. Dois já estão mortos. O de 12 anos agoniza. O sangue lava o solo alagoano em todas as regiões do Estado neste início de 2014. Não adiantam os investimentos federais, a pirotecnia das operações policiais espalhafatosas, nem mesmo a dança das cadeiras no comando da segurança pública em Alagoas. A violência continua avançando. A cada boletim do Instituto Médico Legal (IML) divulgado pela Perícia Oficial de Alagoas, a matança é exposta em números. Se depender dos dados do primeiro mês de 2014, o ano que acaba de começar pode ser ainda mais violento do que 2013. De acordo com levantamento feito pela Gazeta, de 01 a 31 de janeiro, nada menos que 210 pessoas foram assassinadas em Alagoas. Foram 14 mortes a mais do que no mesmo período do ano passado, quando foram registrados 196 homicídios, numa impressionante média de quase sete mortes violentas por dia. Para quem acha que o número é inexpressivo, basta uma comparação com o Distrito Federal, que tem quase 3 milhões de habitantes. O jornal Correio Braziliense alardeia o que acha um absurdo o crescimento de 42% no número de homicídios no Distrito Federal, nos primeiros 30 dias de 2014. A reportagem publicada na última sexta-feira afirma que, segundo dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP/DF), até a última sexta, 31, haviam sido registrados 70 homicídios, apenas um terço do número de mortes verificadas em Alagoas, que tem a mesma quantidade de habitantes.