Polícia
Viol�ncia contra jovens causa dor nas fam�lias
?O assassinato covarde, brutal e sem sentido do meu filho Givaldo dos Santos Jordão ? que tinha apenas 20 anos, registrado numa noite de sexta-feira, no mês de março, próximo à nossa residência, na Rua Raul Aguiar, no Tabuleiro do Martins, acabou com a minha vida e a da minha esposa. Passei a ser uma pessoa triste, que pensa no filho as 24 horas do dia. O Givaldo era estudante e trabalhava para ajudar à família. Nunca me deu o menor trabalho, e acabou sendo morto a tiros por bandidos que vêm infestando o Tabuleiro do Martins? ? esse é o desabafo do militar reformado José Cícero Jordão. José Cícero afirma que, se o filho fosse uma pessoa complicada, ele teria a dignidade de procurar a imprensa para falar dos seus erros. Mas, segundo ele, tratava-se de um garoto sadio, trabalhador, que tinha amigos por onde andava. ?Só pode imaginar essa dor quem perde um parente querido. Minha esposa está dormindo à base de medicamentos, porque chora o tempo todo com saudades do filho. Esta é a situação de uma família que perde um filho?, ressalta o militar, que disse ser um homem muito triste. Ao ser informado da morte do filho, José Cícero quase teve um ataque do coração. A notícia chegou rápida e ele, a princípio, não acreditou, pois conhecia muito bem a formação de Givaldo dos Santos. ?Demorei um pouco para acreditar que a pessoa assassinada covardemente era realmente meu filho, mas acabei no Instituto Médico Legal Estácio de Lima, diante do cadáver. Depois que isto aconteceu, me acordo no meio da noite assustado?, diz Cícero Jordão. Ele ressaltou que o vazio na residência é tão grande que ele prefere passar o dia distante, para não se lembrar do filho assassinado pelas mãos de bandidos. Dor de mãe ?A tragédia se abateu sobre minha família na noite do dia 4 deste mês. Estava em casa quando fui chamada para socorrer o Ednelson, de apenas 18 anos, que estava caído sobre uma enorme poça de sangue. A cena que eu vi jamais vou esquecer. O meu garoto ali, deitado, com 15 tiros espalhados pelo seu franzino corpo era demais para uma pobre mãe. De lá para cá minha vida mudou de forma radical. Sequer tenho coragem de ir ao quarto dele, para não me lembrar. Moço, é muito triste perder um filho da forma como aconteceu com o meu?, lamenta Maria Cícera Raimundo dos Santos, 52, que teve o filho executado na cidade de Satuba. Na sua concepção de mãe dedicada, esta experiência em família é terrível. Ela reza muito para que o filho, onde estiver, tenha a paz que acabou perdendo na terra. Ednelson Raimundo dos Santos era aluno do Colégio Lauro Sodré, onde tinha amigos, e havia feito o concurso para a Polícia Civil. Queria ser militar para ajudar a família. Na noite do seu assassinato, foi seguido por dois homens, que efetuaram os disparos e fugiram em um Fiat Uno vermelho. O delegado da cidade, Airton Omena, investiga a sua execução. Conforme os arquivos da delegacia da cidade, a vítima jamais teve problemas com a polícia. Os autores do crime ainda não foram identificados, mas estão sendo procurados pela Secretaria de Defesa Social.