Polícia
C�pula da Pol�cia Militar pode cair
EDITORIA DE POLÍCIA Um novo coronel da Polícia Militar pode ser indicado, esta semana, pelo governador Ronaldo Lessa, em substituição ao coronel Ronaldo dos Santos, a exemplo de todos os oficiais que compõem a cúpula da corporação. Na última terça-feira, Lessa anunciou a primeira mudança no setor de segurança pública do Estado, indicando o delegado Robervaldo Davino como novo secretário de Defesa Social, em substituição ao procurador Antônio Arecippo. Nos bastidores do governo e da própria PM, a informação que circulou essa semana é a de que o próximo passo será promover mudanças na área militar. Já haveria até uma data para o anúncio das substituições: a próxima quinta-feira. A expectativa do oficialato e de graduados é de que o novo comandante ? se for confirmada a saída do coronel Ronaldo ? dê atenção à questão social da corporação, principalmente em nível de praças (cabo e soldado). Há informações de que vários integrantes da tropa residem em favelas, em condições desumanas e impróprias para a profissão de policial militar. O indicado pelo governador, de acordo com integrantes da PM, precisa também fixar novos rumos à administração da corporação. Por exemplo, o eventual futuro comandante precisaria oficializar o montante financeiro dos convênios em vigor na corporação, para que se tenha conhecimento de quanto está sendo arrecadado e onde é empregado o dinheiro. Segundo informações, atualmente os comandantes de unidade não teriam acesso a esses recursos, inclusive para despesas de custeio. Eles sequer estariam podendo manusear as verbas para comprar até mesmo coisas de pequeno valor, como lâmpadas, por exemplo. Interpretações No entender de oficiais superiores da Polícia Militar (que preferem não se identificar), o comandante a ser indicado precisaria ter dirigido unidade ou um dos comandos de Policiamento da Capital (CPC) e do Interior (CPI), para ter condições de atuar e conhecer o real papel da Polícia Militar diante dos problemas que estão surgindo no dia-a-dia, tais como assaltos, estupros e arrombamentos. Conforme esses oficiais, o eventual substituto do coronel Ronaldo dos Santos precisa ter experiência no planejamento de ações de inteligência para coibir os crimes que vêm ocorrendo em Alagoas. O coronel escolhido deve procurar, ainda, resolver junto ao governo do Estado as distorções salariais existentes entre oficiais e praças que trabalham em gabinetes diversos, que ultrapassam os 100% do soldo total. Hoje, quase mil homens estão fora da atividade fim da PM, e com vantagens salariais em detrimento do policial que trabalha no combate à criminalidade, o que vem causando insatisfação por parte destes policiais militares. O novo comandante tem que ter sensibilidade para administrar os problemas e o apoio político do governo, com a finalidade de reconduzir vários policiais que estão fora de sua atividade-fim. Com isso, a população iria, com certeza, ter condições de policiamento em locais considerados críticos, porém despoliciados por falta de pessoal. O anseio da tropa também se prende ao fato de, hoje, o soldo do policial militar ser menor que o salário mínimo nacional, gerando com isso várias ações judiciais. ?É preciso que seja restabelecida essa condição adquirida anteriormente, ou seja, o soldo de um soldado jamais foi inferior ao salário mínimo?, advertem os oficiais. Outro detalhe: o aumento oferecido pelo governo foi sobre as diárias de operacionalidade, incidindo que o policial ao ir para a reserva perde essas vantagens Em conseqüência disso, existem atualmente na PM quase 500 militares com tempo de serviço acima de 30 anos aguardando uma reformulação para gozar da inatividade. Treze coronéis estariam qualificados a serem indicados ao cargo de comandante- geral da Polícia Militar de Alagoas. Desse total, 40% já assumiram unidades ou grandes comandos da corporação ? detalhe considerado importante pelo oficialato, em virtude de serem pessoas capacitadas para o cargo. O comandante escolhido precisará, também, necessariamente, ser pessoa que conte com a confiança e a simpatia da tropa, fator imprescindível para o sucesso da missão a ser desempenhada.