Polícia
Alagoas lidera em assassinato de jovens
Na ponta do mapa da violência contra os jovens, Alagoas aparece como o estado com a maior taxa de homicídios do Brasil. Segundo o estudo da Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais, responsável pelo Mapa da Violência 2014, aqui é o lugar onde morrem mais jovens na faixa etária de 15 a 29 anos. A taxa é de 138,3 homicídios para cada 100 mil habitantes alagoanos. Os dados referem-se a 2012. O mapa, elaborado sob a coordenação do sociólogo Júlio Jacobo Waiselfisz, aponta outro lugar de risco. Nessa mesma faixa etária, o estado de Rondônia é o líder em mortes no trânsito. Os dados foram apresentados no último domingo, no programa Fantástico, da Rede Globo de Televisão. Na reportagem de amplitude nacional, o próprio secretário de Defesa Social de Alagoas, juiz Diógenes Tenório, admite que ?falta uma política em favor do menor?. Se em Rondônia, conforme a reportagem, os jovens morrem por imprudência no trânsito, em Alagoas são vítimas de homicídio. Os motivos são diversos. Vão do tráfico de drogas a questões banais. ?Em 99% das mortes está a questão do tráfico. Não vi até hoje uma só dessas mortes que não tenha vínculo com o tráfico?, afirma o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (5º BPM), tenente-coronel Mário Jorge Santos. Ouvido na reportagem do Fantástico, o delegado Ronilson Medeiros, da Delegacia de Homicídios, disse que a polícia ?se vê enxugando gelo?, pois a violência não está diminuindo. ?Só crescendo a cada dia?, afirmou. Experiente policial, Ronilson Medeiros, que antes da DH, atuou por muito tempo na Delegacia de Repressão ao Narcotráfico (DRN), já manifestou avaliação semelhante a que tem o coronel Mário Jorge, do 5º BPM. O tráfico de drogas é uma das principais causas da violência crescente em Alagoas, afirmam os dois policiais. ?Falta ocupação pra esses jovens?, afirma o coronel Mário Jorge. Embora admita que o tráfico é de fato um componente importante na análise da criminalidade, a socióloga Ruth Vasconcelos, professora-doutora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), acha que não se pode imputar os homicídios somente ao tráfico. ?Há disputas que vão além do território do tráfico. Temos que considerar a desagregação social, o declínio da autoridade familiar, a impunidade e o descrédito das instituições em todos os níveis, como fatores que levam pessoas a resolver seus conflitos usando a violência?, argumentou Ruth Vasconcelos. Como exemplo, a socióloga citou o próprio caso mostrado na reportagem do Fantástico.