Polícia
PF intensificar� combate ao tr�fico de drogas
BLEINE OLIVEIRA Um profissional que sabe exatamente o que fazer para cumprir as atribuições do órgão que veio dirigir em Alagoas, e que por princípio evita envolvimento de natureza política com grupos, partidos, parlamentares ou governantes. Em síntese, é esse o perfil do novo superintendente da Polícia Federal no Estado, delegado José Paulo Rubim Rodrigues, um gaúcho de 50 anos que está na PF desde 1976. Natural de Porto Alegre (RS), é casado, tem quatro filhos. Sua última missão foi coordenar a equipe de agentes federais que atuou no combate ao crime organizado no Espírito Santo. Os delitos investigados tinham a participação de integrantes de todos os poderes públicos daquele Estado e eram tão graves que o governo federal foi obrigado a interferir, lembra José Paulo Rubim. Esse trabalho, e toda experiência acumulada no exercício da profissão, de agente policial a superintendente, levou o novo dirigente da Polícia Federal em Alagoas a adotar uma postura estritamente oficial nos lugares onde chega. Rubim, como é identificado, tem metas claras para a Superintendência da PF, mas deixa claro que não veio ao Estado com uma missão específica ou com prioridades definidas. ?Vamos atuar de acordo com as necessidades de cada setor que compõe a estrutura do departamento?, anuncia. Sua especialidade é o combate ao narcotráfico. O delegado tem inclusive cursos de formação no FBI, a polícia federal dos Estados Unidos e na BKA, a polícia da Alemanha. Embora não seja esse o principal alvo de sua atuação, Rubim anuncia que vai investir num trabalho de prevenção e repressão ao tráfico de drogas. Ele está analisando os relatórios do trabalho realizado por seu antecessor, delegado Bergson Toledo, para em seguida definir com o titular da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRF) quais ações são necessárias e onde a PF vai atuar de forma mais intensa. O delegado revela já estar informado de que alguns produtos entorpecentes, como cocaína e heroína, foram apreendidos em quantidades nunca antes registrada em Alagoas. ?Nosso trabalho é planejado de acordo com a necessidade identificada em cada área de atuação. Aqui em Alagoas não será diferente, vamos detectar o problema e fazer o que é necessário para coibi-lo?, afirma José Paulo Rubim. Mas ele admite que haverá barreiras e outras operações policiais em áreas como as fronteiras de Alagoas com a Bahia, Sergipe e Pernambuco, para combate ao tráfico de maconha, entorpecente mais comumente apreendido nessa região. Neste início de gestão, o novo delegado vai realizar um levantamento comparativo, para verificar se cresceu e de quanto percentualmente foi o crescimento de apreensões de drogas realizadas pela Polícia Federal no Estado. Outros delitos que a PF registra em Alagoas, revela o novo superintendente, exigem mais investigação. Os mais comuns são fraudes e furtos nos Correios e na Previdência Social. Os registros de casos de aposentadorias fraudulentas merecerão atenção rigorosa nessa nova administração da Polícia Federal. ### ?Administração será estritamente técnica? O novo superintendente da Polícia Federal em Alagoas não conhece os políticos estaduais, esteve aqui uma única vez, como turista, e não vincula o cargo a qualquer ingerência ou influência político-partidária. Para José Paulo Rubim Rodrigues, sua indicação é absolutamente técnica e faz parte da rotina administrativa da direção geral da PF, aprovada pelo Ministério da Justiça. Ele não tem relação pessoal com alagoanos, e pretende construí-la apenas no âmbito do órgão que veio dirigir. As declarações e opiniões públicas dele são sempre baseadas e fundamentadas nos dispositivos constitucionais que definem as atribuições da Polícia Federal. Mesmo demonstrando simpatia, sorrindo sempre e anunciando a disposição de manter uma parceria com a imprensa, José Paulo Rubim não tegiversa quando é indagado sobre o relacionamento que pretende manter com o governo do Estado, parlamentares e demais autoridades públicas alagoanas. ?Minha disposição é ter contato apenas profissional?, responde com naturalidade. Isso significa que, na gestão desse gaúcho, a Polícia Federal vai estar disponível para ?o que for legalmente permitido?. Mas não quer dizer, ressalta Rubim, que haverá um distanciamento do órgão em relação aos demais Poderes do Estado. ?Somos a polícia judiciária da União. Nosso contato é com a Justiça Federal e o Ministério Público Federal. Mas estamos prontos, e até vamos nos oferecer para ajudar o Estado naquilo que é nossa atribuição e para o que for determinado pela direção geral?, acrescenta o superintendente, adiantando que vai manter parceria com as polícias Militar e Civil. Mas nem tudo é formalidade no discurso do delegado José Paulo Rubim. Ele emite opinião política sobre algumas questões como, por exemplo, a Lei da Mordaça e o governo federal eleito. Sobre a Lei da Mordaça, que impede dirigentes, funcionários e autoridades públicas a revelar informações sobre processos e inquéritos civis e criminais, Rubim é bastante objetivo. ?A Lei da Mordaça é muito ruim, prejudica a sociedade?, disse ele, considerando fundamental que, através dos meios de comunicação, a sociedade possa acompanhar as ações adotadas para garantir a lisura na gestão dos bens públicos. ?O trabalho da imprensa é de absoluto interesse da sociedade?, acrescenta José Rubim Rodrigues. Sobre o futuro governo, ele diz que tem boas expectativas e defende que sejam realizados concursos públicos. O delegado acha que há carência de pessoal em vários setores da PF em todo o País, inclusive Alagoas.