Polícia
Quadrilha d� golpe de R$ 1 milh�o
Quem muito quer nada tem. A ânsia de se dar bem na compra de casas populares construídas com dinheiro público trouxe uma dura lição para muita gente. Mais de 200 vítimas do golpe da casa popular deram cerca de R$ 1 milhão em dinheiro vivo para uma quadrilha que usava documentos oficiais e pode ter funcionários públicos envolvidos. A principal acusada até o momento, Márcia Roberta de Souza Marques Mendes, declarou em depoimento à polícia que havia ?gente grande da secretaria envolvida? e por isso estaria com medo de morrer. O delegado de Marechal Deodoro, Jobson Cabral, informa que Márcia se apresentou na delegacia, na última quarta-feira, e prestou queixa porque estava recebendo ameaças de morte. Ela até explicou que temia ser assassinada por causa do golpe, mas o delegado disse que, naquele momento, não podia prendê-la porque ela tinha se apresentado como vítima. ?Não havia uma denúncia contra ela ainda, ninguém tinha registrado uma queixa?, explica Jobson. Depois que saiu da delegacia, a acusada de estelionato nunca mais foi encontrada, nem pelas vítimas, nem pela polícia. O golpe era simples: bastava convencer alguém a pagar em dinheiro por uma casa que deveria ser entregue a famílias carentes. Foram prometidas casas em três conjuntos: o Residencial Recanto da Lagoa, na Ilha de Santa Rita, para moradores retirados da Favela do Jacaré, à margem da BR-101; o Residencial Ouro Preto, em Maceió, para vítimas de áreas de risco e deslizamentos de barreira; e o conjunto José Aprígio Vilela, no Benedito Bentes, para famílias que moravam na orla lagunar e noutros rincões de pobreza. As negociações nunca aconteciam num escritório ou residência e, mediante a apresentação de documentos oficiais, os golpistas convenciam a pessoas a efetuar pagamentos no meio da rua. Os valores variavam entre R$ 7 mil e R$ 20 mil. Na verdade, os estelionatários estavam interessados em ?arrancar? o máximo que podiam das pessoas que se achavam espertas. Em último caso, o negócio para aquisição da casa era fechado por até R$ 5 mil. Teve pessoas que compraram até vinte ?chaves? hipotéticas. ?Muita gente se deu mal porque queria se dar bem?, resume o delegado.