Polícia
Presos s�o barrados em delegacia
A superlotação das cadeias no estado mais violento do Brasil é uma bola de neve desenfreada que rola precipício abaixo. A falta de vagas nos presídios incha a Casa de Detenção e a Casa de Custódia do Jacintinho, que fecham as portas para novos presos e superlotam a Central de Flagrantes, no Farol. Ontem, chegou ao cúmulo de a Polícia Civil suspender os flagrantes porque não tinha condições de receber os presos trazidos pela Polícia Militar. Três deles tiveram de ficar detidos dentro das viaturas, à espera de uma solução para o impasse. O chefe de serviço da Central de Flagrantes, Sidney Ribeiro, confirma que a equipe está orientada a recusar mais presos. Se chegar, vai ter que esperar, dentro do camburão, no meio da rua, sabe-se lá quanto tempo. ?Só vamos iniciar os flagrantes depois da transferência de presos. A gente pede ao pessoal da PM compreensão, é a situação que nos exige isso?, lamenta Sidney O policial civil se baseia na portaria da 16ª Vara de Execuções Penais, que estabelece a lotação máxima de 26 presos. Ontem pela manhã, havia 46 criaturas humanas espremidas em cubículos podres e escuros. Com as seis mulheres isoladas, havia 40 homens divididos em três celas. Projetada para abrigar 4 ou 5 presos, cada cela mais parece uma jaula, com 13 ou 14 cativos, todos suspeitos que aguardam ainda uma decisão da Justiça. Na grade, a multiplicação das mãos, pés, narizes e bocas escancara o drama. Todos falam ao mesmo tempo, gesticulam, mexem os dedos da mão para mostrar como está lotado ali dentro. Alguns espremem a boca entre as grades na intenção de sua voz ser ouvida. Outros querem simplesmente respirar pelo único local onde entra um pouco de ar. Luz do sol não existe, a cela é um calabouço com muita violência concentrada por centímetro quadrado. De fato, é uma central de flagrantes contra a dignidade humana e contra a eficiência carcerária.