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Medo e viol�ncia em rebeli�o de presos no S�o Leonardo

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O medo e a violência tomaram conta do Estabelecimento Prisional São Leonardo, na manhã de ontem, quando um grupo do Primeiro Comando de Maceió, uma ramificação local do PCC de São Paulo, assumiu o controle do prédio, quebrou móveis, queimou colchões, além de espancar e ameaçar de morte três presidiários ? um deles, acusado de tentativa de estupro contra uma menor de quatro anos. A rebelião começou na hora do café, pouco depois das seis da manhã, quando o grupo liderado pelos detentos Alex Porfírio da Silva e Márcio dos Santos, forçou que a guarda interna batesse em retirada. Pelo menos um tiro foi disparado pelos guardas, atingindo a mão esquerda do detento Manoel Petrúcio Jatobá Gomes, de 70 anos. Os detentos passaram a destruir os móveis e a queimar colchões, numa ação que durou cerca de seis horas. Policiais da Rádio Patrulha e do Batalhão de Polícia Especial (Bope) invadiram parte do prédio, por volta das 9 horas, e passaram às negociações ? que só começaram a avançar quando da chegada do secretário de Justiça, Ronaldo dos Santos. O capitão Pedro Moura, do Bope, que era o negociador, revelou que os presos exigiam a demissão do atual diretor do São Leonardo, capitão Alessandro Paranhos Prado, e a volta do delegado Francisco Lima, que recentemente deixou o cargo. Eles exigiam, também, modificação dos critérios de revista, melhor alimentação, tratamento de saúde e aumentar para três os dias de visitas íntimas. A direção prometeu negociar as questões com a comissão de presos e respeitar seus líderes. Briga com novo diretor provocou confusão O detento Manoel Petrúcio Jatobá Gomes, que foi baleado na mão e deixou o presídio para receber socorros médicos, declarou à imprensa, logo no começo da rebelião, que a confusão começou na última segunda-feira quando o representante dos presos, Alex Porfírio da Silva, foi se entender com o novo diretor Alessandro Paranhos Prado ? quanto à punição de alguns detentos que tinham agredido um colega ? e foi expulso do gabinete e da comissão de presos. ?Eles não têm a manha de trabalhar aqui. Nós não somos políticos e a indicação foi política. Queremos o outro diretor de volta (referindo-se ao delegado Lima) e seu pessoal, o policial Cassiano (José Cícero Cassiano) e o ?Ferrão?, estes é que atuavam no setor de disciplina?, afirmou Manoel Petrúcio. Dificuldades Alex Porfírio, processado por assalto, decidiu se juntar a outro líder, Márcio Santos, não encontrando dificuldades de, em pouco mais de uma hora, afastar toda guarda e assumir o comando do São Leonardo. Os detentos só recuaram do propósito da rebelião, e de matar vários companheiros, quando da chegada de representantes da Comissão de Direitos Humanos e da Ordem dos Advogados do Brasil, que acompanharam a negociação. Por volta de meio-dia, os presos concordaram em ficar no refeitório enquanto os setenta homens do Bope entrassem no presídio para uma revista, que foi concluída no início da tarde e localizou vários objetos continudentes que poderiam ser usados como armas. O capitão Paranhos deve continuar no cargo. Os presos feridos foram identificados como José Roberto da Silva ? o mais grave, processado por tentativa de estupro, Carlos Eduardo Fernandes da Silva e Armando Jackson da Costa. Eles foram levados à Unidade de Emergência.

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