Polícia
Alagoas registra 75 homic�dios em janeiro
RÓDIO NOGUEIRA Entre os dias 1 e 24 de janeiro, o Instituto Médico Legal Estácio de Lima registrou 75 assassinatos em Alagoas contra 65 ocorridos em janeiro de 2002. 80% dos homicídios foram cometidos com armas de fogo (espingardas, pistolas e revólveres). O restante morreu a golpes de faca, cacete e pedradas. No interior do Estado, as cidades de Marechal Deodoro, Pilar, Dois Riachos, Arapiraca e Olho D?Água do Casado lideraram a estatística de violência. Em Maceió, os bairros de Jacintinho, Benedito Bentes, Vergel do Lago e Feitosa registraram o maior número de execuções. O mês registra três duplos assassinatos e um triplo no interior do Estado com casos, segundo a polícia, já esclarecidos, inclusive com os autores identificados e capturados. Os crimes, na visão de alguns delegados, foram praticados por vingança. No município do Pilar, dois soldados da Polícia Militar de Alagoas foram presos sob acusação de ter matado a tiros de pistola, na noite do dia 19, Gilberto Pereira da Silva, 52, Maria José Conceição, 50, e Benício Francisco, 52. Na cidade de Dois Riachos, Paulo Henrique Leite, Givanildo Tenório Silva e Jonathan de Brito, acusados de assaltar ônibus, morreram num confronto com policiais civis e militares. Em Olho D?Água do Casado, Maria Salu Bezerra e seu filho Oscar Bezerra da Silva foram atacados em sua propriedade e assassinados com vários tiros de revólver. O duplo homicídio, segundo investigação policial, pode está ligado à questão de herança. Mas o caso está sendo investigado pelo delegado Milton Gomes, de Santana do Ipanema, que instaurou inquérito. O mês registrou outros violentos assassinatos ainda sem elucidação, com os inquéritos em fase de andamento e a tomada de depoimentos de testemunhas, o que leva muito tempo e em alguns casos o processo é enviado para a justiça sem autoria material e intelectual. Quadro preocupante O secretário de Defesa Social, delegado Robervaldo Davino, considera o número de execuções registradas no mês de janeiros preocupante. Entende a autoridade policial que o aumento de criminalidade é um fator que assusta e requer medidas urgentes. Davino, com base na estatística, disse que vai se reunir com o alto comando da segurança em Alagoas para localizar as falhas apesar do efetivo policial ter sido aumentado na capital e interior do Estado. Secretário diz que muitos casos já foram esclarecidos O número de homicídios é preocupante, na opinião do secretário Robervaldo Davino. ?É competência da Secretaria de Defesa Social analisar com profundidade o que está ocorrendo e buscar meios de minimizar a situação, por que erradicar o crime é impossível. E eu na condição de secretário não vendo ilusões?, explica, anunciando que, na próxima semana, se reúne com seus diretores de polícia e o comando da Polícia Militar de Alagoas. Ainda com base na estatística de 75 pessoas executadas em 24 dias, o secretário fez questão de relatar que muitos dos casos inseridos na relação de pessoa mortas foram esclarecidos pelos delegados das jurisdições onde ocorreram os homicídios. ?Os crimes registrados nas cidades de Pilar e Olho D?Água do Casado já estão resolvidos, inclusive com seus autores identificados e presos. Então, a polícia trabalha no sentido de cumprir o seu papel constitucional?, explica o secretário. Ele disse que a Polícia Civil tem um efetivo de 2.205 componentes. Cerca de 75% trabalha na área operacional (delegados e agentes civis). O número, segundo Davino, ainda é insuficiente quando na verdade a polícia precisa ter, no mínimo, 4 mil policiais em atividade para efetivamente combater a criminalidade no Estado. Segundo o secretário, a polícia se moderniza a cada ano com a aquisição de armas modernas, coletes, viaturas e homens que se profissionalizam na Academia de Polícia Civil. Então, na medida em que a estrutura pode atender, a polícia avança esclarecendo os mais rumorosos casos de homicídios, capturando bandidos perigosos e levando proteção para a sociedade. Grupos de elite Lembra Robervaldo Davino que a Secretaria de Defesa Social conta atualmente com três grupos de elite para atuar em casos de alto risco: o Tático Integrado e Grupos Especiais (Tigre), Operação Litorânea e Comando de Operações Táticas Integradas. Durante meses policiais civis foram capacitados pela Academia de Polícia Civil para as operações de alto risco. E com a recente nomeação de mais 800 policiais estes grupos devem aumentar seus efetivos. O advogado Pedro Montenegro, coordenador-geral do Fórum Permanente Contra a Violência, explica que a polícia nunca está no lugar certo para efetivamente combater a onda de criminalidade que afeta a capital alagoana e cidades do interior do Estado. ?O número de pessoas executadas é de assustar o cidadão pacato por que não existe uma planejamento para se detectar onde os crimes estão ocorrendo e por que estão acontecendo. Então, a polícia vai para o norte e o crime acontece no sul. Falta planejamento e estratégia de combate ao aumento da criminalidade?, explica Montenegro.