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“Economia criminosa sustenta maceioense”

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Alto índice de sonegação fiscal, apropriações indébitas, desvio de recursos públicos, o comércio ilegal de armas, drogas e o dinheiro amealhado em assaltos, roubos e furtos compõem o que o sociólogo Luiz Sávio de Almeida chama de ?economia criminosa?, da qual se sustenta grande parte da população de Maceió. ?Se o empregador deixa de recolher a contribuição do empregado; se o administrador desvia recursos financeiros; se o contribuinte deixa de recolher o imposto devido, tudo isso é crime previsto em lei. Mas esse montante de dinheiro manipulado forma o que eu chamo de economia criminosa, porque o dinheiro tem origem nesses crimes?, explicou. Deus O sociólogo Sávio Almeida mostrou que a sociedade está aprendendo a conviver com as distorções. ?Um jornalista amigo meu me apresentou uma foto de uma pessoa comendo um pombo vivo, na Rua do Comércio. O pombo sempre esteve lá, ninguém nunca se tocou, mas bastou alguém pegar um e comer para chamar a atenção da miséria?, disse. Sávio também chamou a atenção para a distorção que existe entre a lei, que garante ser a via pública, ou seja, à disposição de todos. ?Eu pergunto: e onde fica o flanelinha? A rua é na verdade do flanelinha, que reservou aquela área para ele sobreviver. E estar certo, eu não o condeno. Mas isto mostra que o vazio do poder público é sempre ocupado, de uma forma ou de outra?, acrescentou. ?Veja o seguinte: um aluno meu fez pesquisas nas grotas do Jacintinho e quando perguntou à população das favelas como se virava para enfrentar a violência, a resposta foi: com Deus. Ou seja, eles sabem que dependem mesmo só de Deus?, contou. Disparidade O sociólogo também mostrou que não é a classe alta, ou seja, os ricos, que estão se mudando para condomínios fechados. ?Quem mora no Aldebaran não é o ricaço, mas a classe média que acumulou renda nos últimos anos e decidiu optar por segurança fechada. Fica isolada lá. Mas também se oferece segurança particular nas favelas, veja só. Cobra-se pela segurança nas favelas, uma ação dos próprios favelados?, acentuou. Para o sociólogo, a disparidade existente na relação entre o pobre e o rico, em Alagoas, é uma das causas do aumento da violência. ?Enquanto o pobre tem renda para comprar apenas um pão por dia, o rico pode comprar dezesseis pães. Para você ter idéia dessa distância, imagine um gráfico, coloque um pão na Praça dos Martírios e o outro pão a dezesseis quilômetros dali, ou seja, na Cidade Universitária?. Sávio acredita que o programa Fome Zero, do governo Lula, pode dar certo. ?Dinheiro tem. E se não tivesse, acredito que o pacto social poderia ajudar. Eu mesmo não me recusaria de contribuir com um programa sério para combater a fome. Autorizaria o desconto no meu salário, sem problema. Mas é preciso entender que sem investimentos na educação, na saúde e para a geração de empregos a violência não será combatida com eficiência. E veja que esta é uma questão do capitalismo. Marx ensinou que no capitalismo quem não pode comprar fica marginalizado. Quem não tem poder de compra, vai buscar alternativas. Daí, temos de ter o cuidado, quando falamos de violência, para não culpar a pobreza.

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