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�nibus voltam a circular sob clima de medo

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Medo é o sentimento entre comerciantes, rodoviários e a população que recorre ao terminal de ônibus do Mercado da Produção, na Levada, diariamente para apanhar um coletivo com destino a vários bairros de Maceió. Se o lugar já era considerado inseguro, piorou depois de um tumulto que transformou a área num campo de guerra no último sábado em reação a uma abordagem policial ocorrida durante a madrugada. Teria havido troca de tiros com a Polícia Militar e um suspeito de tráfico de drogas acabou morrendo no Hospital Geral do Estado (HGE), após ter sido atingido pelas balas. A reação foi imediata. Moradores boquearam a Avenida Senador Rui Palmeira, a principal do bairro, incendiaram um contêiner de lixo, depredaram ônibus no terminal do Mercado e levaram terror a quem estava no local. Militares utilizaram bombas de efeito moral para dispersar o grupo, dispararam tiros de borracha, duas pessoas foram presas apreendidas com os manifestantes. Ontem pela manhã, o clima no terminal do Mercado era de medo, muito medo. Os ônibus voltaram a circular, os comerciantes retomaram às atividades, os usuários aguardavam os coletivos, mas não escondiam o pavor de ter que se manter no lugar para garantir a sobrevivência. Adriano José Bispo vende laranja e CDs no terminal de ônibus do Mercado. Ao lado da esposa, trabalha diuturnamente no comércio informal, de onde garante a sobrevivência. Com o filho de três, o casal ainda demonstrava nervosismo pelas cenas que acompanhou no sábado, quando um grupo, segundo Adriano, de mais de 40 pessoas, tocou fogo em colchões, pneus, depredou coletivos e ameaçou motoristas, comerciantes e populares que aguardavam um ônibus. Nervoso, ele disse que a esposa, Edlane Cândido de Lima, passou mal e até ontem ainda chorava toda vez que lembrava dos momentos de pânico que viveu. ?Era muita fumaça, um corre corre grande. Graças à ação da polícia, não mataram alguém aqui. Nunca vi algo parecido. Infelizmente preciso trabalhar pra dar o de comer aos meus filhos, mas tô trabalhando com muito medo?, relatou Adriano Bispo.

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