Polícia
Taxistas denunciam onda de viol�ncia contra categoria
Os três assassinatos em menos de dois meses e a onda de assaltos que hoje atinge a categoria, trouxe de volta o medo e a insegurança aos taxistas alagoanos, que se declaram ignorados pelo poder público. O presidente do Sindicato dos Taxistas, Ubiracy Correia, informou que 69 companheiros foram assassinados ou desapareceram nos últimos dez anos, crimes que, na maioria das vezes, não chegaram a ser esclarecidos pela polícia, a exemplo do desaparecimento e morte do taxista Rainor Pereira da Silva, encontrado morto a facadas, nas imediações da Ponte da Flamenguinha, em São Luiz do Quitunde, após ser seqüestrado por dois casais, em Mangabeiras, em setembro do ano passado. Apesar de já terem feito isto mais de uma dezena de vezes, os taxistas voltaram a apresentar sugestões às autoridades policiais, com a finalidade de minimizar a situação. ?Nós queremos a intensificação da ação fiscalizadora de táxis nas saídas da cidade?, alertou ele, lembrando que quando isto acontecia, em 1999, o número de assaltos diminuiu e não foram registrados assassinatos de integrantes da categoria. Se houvesse uma barreira policial ativa na rodovia AL-101, dificilmente os matadores de Antônio Miguel da Silva, 44, encontrado morto no último dia 25, teriam logrado êxito. Segundo as investigações policiais, Miguel foi levado em seu próprio táxi, uma Parati, placa MUW-1006/AL, cor branca, até a Fazenda São Gonçalo, entre os municípios de Porto Calvo e Porto de Pedras, onde foi executado a tiros de revólver e jogado num matagal. Seu veículo foi localizado, totalmente carbonizado, em um canavial, no Povoado Santa Luzia, em Barra de Santo Antônio. Foi o assassinato de Miguel que alertou os taxistas para a insegurança nas estradas e a falta de eficiência dos atuais PM Boxes que, segundo eles, estão servindo mais para punir a categoria (com pesadas multas) do que para trazer tranqüilidade, motivo pelo qual foram instalados, anos atrás. ?A polícia precisa estar mais presente. Colocar viaturas nas ruas e barreiras nas estradas?, declarou Ubiracy. Assaltos O presidente do Sindicato dos Taxistas afirmou que estão acontecendo por semana, em média, seis assaltos contra taxistas, em Maceió. A maioria dos casos não é denunciada à polícia, pois os profissionais advertem que não adianta nada prestar queixa, porque seus pertences jamais voltam e são raras as notícias da prisão de assaltantes de taxistas, a mais recente foi há duas semanas, quando a vítima, além de taxista, era sargento da Polícia Militar. Atualmente, o Sintáxi tem quatro mil associados em Alagoas, sendo 2. 500, em Maceió, onde ocorrem os principais casos de violência contra a categoria. Ele lembra de dezenas de casos de companheiros que perderam a vida em assaltos. José dos Santos, por exemplo, executado a tiros ao reagir a assalto, próximo ao posto da Polícia Rodoviária Federal, quando dirigia seu veículo Chevette, placa TX 1042/AL, crime ocorrido em junho de 1995, e jamais esclarecido. Citou também o caso de Sebastião Rocha, o Rocha, encontrado morto em Rio Largo, em abril de 1997, e seu veículo sumiu. Irapuã Paulino da Silva, encontrado morto em Cachoeira do Meirim, em janeiro de 2002; Itamar José do Nascimento, executado a tiros de pistola, no Feitosa, em março de 2002, e José Roberto Pires da Silva, que foi emboscado e morto dentro de um Gol táxi, em Bebedouro, em dezembro do ano passado. Para os vários crimes, a polícia apresentou uma série de versões, mas não conseguiu explicar como tantos pais de família morrem, sem que nenhuma providência seja adotada para impedir a ocorrência de novos homicídios (latrocínios). Reduzir assassinatos Na semana passada, após uma passeata de taxistas, que tinha à frente o cadáver (em decomposição) de Antônio Miguel, o comando da Polícia Militar recebeu um grupo do Sintáxi, liderado pelo presidente, Ubiracy Correia, e anunciou que vai liberar uma freqüência de rádio exclusiva para se comunicar com as centrais de táxis instaladas em Maceió. ?É uma antiga reivindicação da categoria?, destacou Ubiracy. A esperança do comandante-geral da PM, Edmilson Cavalcante, é coibir os assaltos e assassinatos de taxistas, que tem crescido nos últimos dez anos. ?Estamos discutindo detalhes técnicos para viabilização da freqüência?, argumentou o representante dos taxistas. Já o comandante da PM explicou que, além do serviço de rádio, as barreiras policiais nas estradas estão sendo viabilizadas. ?Estamos realinhando o policiamento para operações internas no âmbito da cidade?, revelou o comandante. O coronel Edmilson Cavalcante acrescentou que, com relação à fiscalização nas rodovias federais, apesar de as BRs não serem áreas de atuação da Polícia Militar, o comando firmou uma parceria para um trabalho conjunto. Ele disse acreditar que com essas medidas esse tipo de crime será reduzido de forma considerável?, concluiu.