Polícia
IML de Macei� registra 91 assassinatos em janeiro
RÓDIO NOGUEIRA O Instituto Médico Legal Estácio de Lima registra que 91 pessoas foram assassinadas no Estado em janeiro deste ano. No mesmo período do ano passado, 64 corpos deram entrada no IML. Nos dois casos, 80% foram vítimas de revólver, pistola e espingarda - calibre 12. Os demais, a golpes de faca, facão, cano de ferro, cacete e pedradas. No interior do Estado, as cidades de Arapiraca, União dos Palmares, São Miguel dos Campos, São José da Laje, Dois Riachos e Rio Largo registraram o maior número de homicídios este ano. Em Maceió, os bairros do Benedito Bentes, Vergel do Lago, Jacintinho, Tabuleiro do Martins e João Sampaio lideram a onda de violência na capital alagoana. A Secretaria de Defesa Social explica que, conforme levantamento feito nos livros de registros das delegacias regionais e municipais (interior), muitos dos crimes que constam da estatística foram esclarecidos e os autores conduzidos à prisão. No caso específico de Maceió, a posição é a mesma. O secretário de Defesa Social, delegado Robervaldo Davino, com base na estatística, explica que o número de casos de homicídio preocupa. No entanto, garante, a polícia está buscando meios para inibir o crime e reduzi-lo ao máximo. ?Acabar com assassinatos é impossível?, diz. Davino explica que a Polícia Civil precisa ter em seus quadros, no mínimo, 4 mil policiais para combater de forma efetiva a criminalidade. Atualmente, dispõe de 2.205 funcionários para atender a capital e 106 municípios alagoanos. O que significa uma carência de quase 50% do total do efetivo. Davino conta com o apoio da Polícia Militar de Alagoas com seus Grupamentos de Polícia Militar (GPMs). Conta também com viaturas novas à disposição dos policiais. Ressalva que a polícia, dentro de sua realidade conhecida da sociedade e imprensa, realiza um trabalho de bom nível. Afirma que muitos assaltos foram abortados e muitas quadrilhas foram capturadas, entre os quais, bandidos com fama nacional (o caso de Severino Dionisio foragido de uma prisão em Guarulhos-SP, preso com um comparsa em uma pousada na Praia do Francês). ?O quadro está sendo analisado em reuniões. A meta é descobrir onde a polícia precisa atuar mais e corrigir as falhas?, enfatiza Robervaldo Davino. Execuções Nos primeiros seis dias de fevereiro, 22 pessoas foram executadas em Alagoas, cinco deles no interior do Estado e os demais em Maceió. O número foi apresentado ao secretário Robervaldo Davino, que disse ser ?preocupante?, mas está sendo analisado. O secretário admite que é necessário buscar meios para encontrar uma solução urgente. A cúpula da polícia entende que qualquer tipo de violência é motivo de preocupação. A Polícia Civil está em alerta 24 horas como três grupos especiais nas ruas de Maceió. No interior do Estado, a determinação é que os delegados realizem rondas permanentes para inibir a ação dos bandidos. Um mapeamento das áreas consideradas de risco foi feito pelo Departamento de Polícia do Interior (Depin) que começou a policiar mais os setores. A partir do momento em que se detectou zona de risco, como bares e cabarés, se aumentou o efetivo policial. O resultado do trabalho será apresentado a cada fim de mês. O número de homicídios ocorridos em Alagoas mostra que o comércio de arma clandestina continua em alta, levando-se em conta o número de pessoas feridas e assassinadas por armas de fogo. O serviço reservado da Polícia Civil sabe que a Praça Guedes de Miranda, em Ponta Grossa, é o maior ponto de venda de armas. Em operação realizada no início do ano, sete revólveres foram apreendidos. Outro ponto conhecido como mercado negro de armas é a Feira do Passarinho, apesar da presença das polícias Civil e Militar no local. Mas o comércio clandestino de armas pode está com os dias contados. Operações conjuntas serão deflagradas a qualquer momento na capital e interior do Estado. A populosa cidade de Arapiraca está na mira dos policiais. No bairro Cacimba, existe um comerciante apontado como um dos maiores vendedores de pistolas, revólveres e até espingardas calibre 12. O nome é mantido em sigilo por que sua prisão é uma questão de dias. Ele é apontado como o homem que está fazendo fortuna com o comércio clandestino de armas. Mas ainda não foi preso com os produtos em sua residência.