Polícia
Esquema mais usado � o das visitas
Maria José da Silva ? nome fictício usado pela reportagem ? ficou detida, em 2014, por cerca de 15 dias, no Presídio Feminino Santa Luzia, em Maceió. Nesse período, disse não ter visto nenhuma reeducanda fazendo uso de aparelho celular. A justificativa dela é simples: ?São poucos os homens que vão fazer visitas, e os que vão não têm coragem de se arriscar?, falou. Ela conta, no entanto, que nos presídios masculinos os celulares circulam livremente. ?Eu mesma tenho uma cunhada que já entrou várias vezes com celular na vagina. Lá parece que o sistema é menos rígido. Primeiro, ela levava para o marido que ?tava? preso, depois chegou a levar para outro ?cara? com quem se envolveu. As mulheres se arriscam por causa deles?, ressalta Maria José. Um ex-reeducando que ficou detido por três meses no Baldomero Cavalcanti conta que chegou a comprar um celular de outro preso pelo valor de R$ 500. O fato aconteceu em 2013, e, segundo ele, que terá a identidade preservada, na época, a maioria dos detentos tinha aparelho telefônico. Ele relata que, para que um agente penitenciário faça ?a ponte? e entregue o celular ao preso, é preciso que toda a equipe de plantão seja corrupta, por isso afirma que grande parte dos celulares chega às mãos dos reeducandos por meio das visitas. Em alguns casos, os familiares se arriscam para garantir o pagamento de uma dívida adquirida pelo preso e evitar que ele sofra represálias por parte de colegas de cela.