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Presos passam fome em delegacias superlotadas

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O fenômeno da superlotação de presos em delegacias, que assola o sul do País, está atingindo também as especializadas de Maceió. Na Delegacia de Roubos e Furtos, o número de presos é quase o dobro, ou seja 42, da capacidade das três celas (24). Acusado de assalto, Marcos Ferreira da Silva afirma que está sendo tratado como ?cachorro?, não tem direito a tomar banho e não vê o sol há um mês. Adverte que sofre com a ignorância de alguns policiais civis e que está passando fome. Reclamação semelhante é feita por Orlando Leite da Paz, preso por roubo e tráfico de drogas. Ele revela que a situação na carceragem da DRF é precária, pois os presos estão dormindo uns por cima dos outros. ?Ou a Justiça solta logo a gente, ou joga no presídio?, protesta ele, que há três meses está preso na Roubos e Furtos. ?Nós não temos nem água para beber e não podemos receber visitas?, frisou o acusado. Fabrício Silva da Rocha, acusado de assalto e preso desde o ano passado, é quem socorre os companheiros de cela na hora da fome. ?Meu pai traz uma bacia de comida para mim. Fui eu quem pediu para reforçar, pois não posso ver ninguém com fome, enquanto eu estou comendo?. A comida de Fabrício vem apenas ao meio-dia e as demais refeições, a exemplo dos colegas, não existem. Os presos com família residindo no Estado ainda recebem atenção, quando se trata de alimentos, mas dois sergipanos garantem que só já não morreram de fome porque comem pão com água doado pelos policiais da Delegacia de Roubos e Furtos. Só que não agüenta mais e exige da Justiça um tratamento mais humano. Robson Santos Barbosa denuncia que não teve sequer direito a fazer uma ligação para seus parentes em Aracaju. ?Nós estamos aqui há mais de uma semana e queremos falar com nossas famílias, mas não conseguimos ainda. Nossos parentes podem conseguir dinheiro para garantir nossa subsistência aqui e um advogado?, destacou ele, acrescentando que foi preso, por suspeita de furto, juntamente com Leilson Andrade Farias, que reclama, principalmente, da falta de assistência judiciária. ?Ninguém pode ficar aqui sem defesa. Tenho condições de ter um advogado. Mas estas condições estão em Sergipe. Não estou tendo garantido o meu direito de falar com minha família?, protestou. Café com pão O delegado de Roubos e Furtos de Maceió, Jobson Cabral de Santana, informou que, na semana passada, falou com o secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino, para tentar junto à Corregedoria Geral de Justiça a transferência dos presos para o Estabelecimento Prisional São Leonardo e o Baldomero Cavalcante, visto que são detentos indiciados em inquérito ou autuados em flagrante (presos de Justiça) e que estão ?misturados? aos demais presos, ainda em condições de suspeitos. ?Tem preso aqui que está há quase quatro meses, cuja alimentação é café (quando tem) com pão. Os que têm família em Maceió recebem almoço vez ou outra, quando os parentes têm condições de trazer a comida?, confirmou o delegado. Jobson Santana destacou que a Secretaria de Defesa Social não tem verba específica, ou seja, obrigação de alimentar presos de Justiça nas delegacias de Maceió. ?Nossa obrigação é fazer a prática cartorária e encaminhar os acusados à Justiça, pois aqui eles vão passar necessidades. Para alimentá-los precisamos fazer cota com os policiais, porque senão eles morrem de fome?, concluiu Santana. A situação de outras delegacias especializadas de Maceió. Na Delegacia de Repressão às Drogas houve até greve de fome dos presos para que fossem encaminhados ao presídio São Leonardo, onde é garantida a alimentação, as visitas de parentes e os banhos de sol. Nas onze delegacias regionais também existem problemas. Em Delmiro Gouveia, o número de presos já chegou ao triplo da capacidade da carceragem e, em Palmeira dos índios, foi preciso que um comboio da Radiopatrulha fosse fazer a transferência, exigida pela Justiça; tão grande era o número de presos (45), sendo preciso 20 viaturas e 80 homens da Polícia Militar.

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