Polícia
AL registra uma v�tima de estupro por dia
Dos 584 exames de pessoas vivas que o Instituto Médico Legal Estácio de Lima (IML/Maceió) realizou em maio passado, 5,3% foram casos de estupro. Ou seja, 31 pessoas foram atendidas para exames periciais de violência sexual. O dado, divulgado pela Perícia Oficial entre as estatísticas de serviços realizados ao longo daquele mês, ganha destaque, segundo o movimento que combate a violência contra a mulher, por representar uma subnotificação. ?Esse tipo de violência é bem maior. O problema é que as denúncias não chegam às delegacias?, disse, ontem, a estudante Poliana Belo, do Movimento Mulheres em Luta. Lamentando que em Alagoas não haja estatísticas mais específicas sobre a violência que as mulheres sofrem, a estudante disse que, no País, a estimativa é que somente 10% dos casos sejam denunciados. Titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher I, localizada no Centro, em Maceió, a delegada Fabiana Leão concorda que os números são menores do que a realidade. Mais ainda: revela que das denúncias de estupro que chegam à polícia, a maioria é contra desconhecidos, ou seja, a vítima não conhece o agressor. ?Diferentemente dos registros de violência em geral, onde 67% é de violência doméstica, ou seja, a vítima conhece e tem familiaridade com o agressor?, diz Fabiana Leão. ?PROFUNDIDADE? Nem ela nem a estudante Poliana Belo avaliaram o número de exames de estupro feitos pelo IML em Maceió, por entender que a questão da violência sexual exige uma análise mais aprofundada. Esse tipo de crime alcançou maior repercussão nos últimos dias devido ao estupro coletivo praticado por 33 homens, contra uma adolescente de 17 anos ? abuso registrado na cidade do Rio de Janeiro. O caso serviu para desencadear uma campanha contra a chamada cultura do estupro, em que a vítima é apontada como responsável pela violência sofrida. ?O maior índice de violência contra a mulher é registrado em Maceió. Então, esse dado do IML está em conformidade com o que sabemos, mas não traduz a realidade pelo medo que as vítimas têm de serem julgadas. Preferem silenciar?, argumenta a militante feminista Poliana Belo. Significa, acrescenta ela, que a pressão social é outra causa da subnotificação das vítimas. Soma-se para intensificar a omissão, a pressão psicológica e, em boa parte dos casos, a dependência financeira.