Polícia
A realidade do tr�fico
MÁ ÍNDOLE É CRITÉRIO PARA RECRUTAMENTO O critério de acesso a uma quadrilha é subjetivo. Normalmente moradores da comunidade onde está a ?boca?, os ?aviões, ponteiros e soldados? costumam se aproximar aos poucos. ?Quem já está no tráfico se aproxima daqueles que já deram sinal de má índole. Como sabem que quem presta, não anda com quem não presta, fica fácil recrutar?, simplifica o agente José (nome fictício), policial civil acostumado a investigar o tráfico de drogas nas favelas de Maceió. Entre os recrutados, a relação é de parceria, mas só enquanto a situação é tranquila. Na adversidade, que pode ser a prisão ou a insatisfação do chefe, é cada um por si. ?Se for preso, é a família que socorre. E se cair em desgraça junto ao chefe, o risco é morrer?, relata o experiente policial. CRIME FAZ AUMENTAR NÚMERO DE MULHERES NA PRISÃO O tráfico de drogas é a causa do aumento do número de mulheres presas, em Alagoas. Dados oficiais mostram que a população carcerária feminina vem crescendo de forma acelerada, tornando Alagoas o Estado onde o crescimento foi o maior do País. O Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen), divulgado em novembro de 2015 pelo Ministério da Justiça, mostrou que, de 2007 a 2014, o número de mulheres encarceradas no Estado aumentou 444%, subindo de 62 em 2007, para 337 em 2014. Segundo a pesquisa, 54% das mulheres presas em Alagoas respondem por crime de tráfico; 65% delas têm idade entre 18 e 34 anos; 81% das detentas são negras e 19%, brancas. APREENSÕES GERAM ONDA DE ASSALTOS Acossado entre a ação policial, que pode flagrá-lo a qualquer instante, e o ?olho grande? dos concorrentes, quem entra no tráfico aprende a viver na corda bamba, a tal ?vida loka?, neste caso, uma vida de bandidagem. O maior medo que esses criminosos têm é perder dinheiro. As grandes operações policiais, definidas após longa investigação e bem elaborado planejamento, são hoje o terror dos ?chefes?. De 100 quilos a 100 quilos, toda vez que a quadrilha perde a droga, alguém é obrigado a pagar pelo prejuízo. Dentro ou fora do presídio, o traficante terá que dar conta da droga apreendida. É por isso que, em determinados momentos, aumentam as ocorrências como assaltos a bancos e roubo de carro. As apreensões são, inclusive, a causa da reação dos traficantes contra policiais. A violência deles contra a polícia aumenta, às vezes individualmente, com ameaças e atentados.