Polícia
DESAFIANDO FOR�AS DO ESTADO, TR�FICO CONTINUA COOPTANDO JOVENS
Se o Estado não conseguir impor ações mais enérgicas no combate aos bandidos, não demora e o tráfico de drogas pode estabelecer, em Alagoas, as mesmas regras de comando que se vê nas grandes cidades, como Rio de Janeiro e São Paulo. Essas capitais são exemplos antigos de como o crime pode impor aos cidadãos um modelo social inteiramente à margem da lei e da ordem institucional. De fato, a repressão ao tráfico em Alagoas aumentou e se tornou implacável: nunca tanta droga foi apreendida como agora, nem se prendeu tantos criminosos. Todavia, somente a repressão não vai conseguir cortar os tentáculos do tráfico. E o próprio secretário de Segurança Pública, coronel PM Domingos Lima Júnior, admite que a ausência de políticas públicas em áreas importantes como a saúde, educação, cultura, esporte e lazer é o ?ovo da serpente?. ?Se não sente que há uma estrutura capaz de lhe dar sustentação para alcançar seus sonhos, o jovem cede à ilusão de que o tráfico vai lhe dar o que deseja?, avalia o secretário. O traficante de drogas, que manda na área, anda com roupas e tênis de marca e correntes de prata, ostentando muito dinheiro, se torna um ídolo a ser seguido ? ilustra um agente da Inteligência da SSP. Junto à falta de políticas públicas que tirem o jovem da ociosidade, o secretário aponta a desestrutura familiar como causa da cooptação do tráfico sobre adolescentes e jovens, principalmente na periferia. ?Vemos pais sem autoridade e professores com medo. Isso precisa ser analisado para que possamos reverter essa realidade negativa?, propõe Lima Júnior. Para ilustrar a gravidade da situação, ele conta que a PM já recebeu pedido de um pai para controlar o próprio filho.