Polícia
Moradores se revoltam contra onda de estupros
?Ela está sentindo dor, e eu, sentindo ódio?. Antônio Marcelino da Silva não dorme há três dias, desde que sua filha de 16 anos foi estuprada após sair da escola onde estuda, em Garça Torta. Por causa desse caso e de, pelo menos, outros seis é que os moradores de bairros da região Norte pedem mais segurança nas imediações de escolas da região e nos pontos de ônibus. Nesses locais é que estão acontecendo as abordagens dos criminosos, que estavam quase sempre em veículo preto. Para cobrar mais atenção do Poder Público, radicalizaram e fecharam trecho da rodovia AL-101 Norte por quase quatro horas, nessa sexta-feira, 14, gerando congestionamento de mais de dois quilômetros de Guaxuma a Riacho Doce. ?Assim que ela saiu da escola, pegou o ônibus. Quando desceu no ponto, um homem num carro botou a arma na cabeça dela e levou para um sítio (depois do Mirante), onde ela foi estuprada. Ele fez miséria com a minha filha. Ela está cheia de dor?, afirma. O último caso de estupro relatado por moradores da região foi justamente da filha de Antônio Marcelino, na tarde da última terça-feira, dia 11. ?Já denunciamos tanto essa situação e, até agora, não foi tomada nenhuma providência. A amiga da minha filha, que tem apenas 14 anos, foi vítima e até foi hospitalizada. Tenho medo disso acontecer com a minha família?, diz Josilene Costa. Os moradores contam que já viviam rotina de medo com tantos assaltos em Garça Torta e Riacho Doce, mas que a situação piorou muito com os estupros relatados nos últimos três meses. Na mobilização, falaram em até dez casos e que outras vítimas não estão contando à família ou à polícia por vergonha e medo. Outras deixaram de ir à escola. ?Vão esperar matar uma criança para tomar alguma providência? Precisamos de ajuda, alguém faça alguma coisa?, gritava uma manifestante.