Polícia
Polícia e MP apuram intolerância
A memória de quem viu de perto a ação criminosa vai ajudar na confecção do retrato falado dos dois homens que, no final de setembro último, dispararam tiros de espingarda calibre 12 contra um templo de candomblé, no Conjunto Frei Damião, bairro Benedito Bentes, em Maceió. Ontem, a delegada Maria Tereza, do 8º Distrito Policial, responsável pela investigação do atentado, esteve no local e, analisando as perfurações provocadas pelos disparos na porta do templo, destacou a gravidade da ação. Um tiro atingiu a ialorixá Cristiane da Silva, chamada Cristiane de Ogum, uma das sacerdotisas que participavam, no terreiro, da festa em homenagem a São Cosme e São Damião, considerados protetores das crianças, o que pode caracterizar crime de tentativa de homicídio. ?O retrato falado dos suspeitos será decisivo nessa investigação?, disse Maria Tereza, que marcou para o início da próxima semana a oitiva das testemunhas do ataque ao terreiro. Ela disse que peritos do Instituto de Criminalística (IC) vão analisar o ponto atingido pelos disparos e fazer teste de balística no material encontrado no portão. O promotor Flávio Costa, da 61ª Promotoria de Justiça (Direitos Humanos e Cidadania), acompanhou a delegada e, como já fizera pouco depois da ocorrência, destacou a necessidade de identificação e punição dos agressores. ?É um crime que precisa ser esclarecido. Para isso, a polícia conta com a ajuda da população, que deve informar anonimamente pelo telefone 181 quem são as pessoas que atiraram contra o templo, atingindo gravemente uma pessoa?, disse o promotor. Ele aproveitou para saber detalhes da ocorrência criminosa que, segundo o babalorixá Janerson Alves, sacerdote do templo denominado Ilê Axé Jexaorô, foi precedida de ataques verbais de um grupo de evangélicos que passava em frente ao local, no momento em que os filhos de santo encerravam a comemoração pelo dia de São Cosme e São Damião. ?Se houver relação entre essas ocorrências, estará configurada a intolerância religiosa, o que também é crime. O importante é ressaltar que condenamos todas as formas de violência, independente de qualquer orientação?, afirmou Flávio Costa. O promotor declarou que vai acompanhar de perto a apuração dos fatos.