Polícia
Cinegrafista morre espancado
A família do cinegrafista aposentado Paulo Antônio da Silva, 63 anos, conhecido por Paulinho, cobra investigações sobre sua morte, após ser espancado por mais de 30 pessoas, no Conjunto 1º de Julho, localizado no Benedito Bentes, parte alta da cidade. O fato aconteceu na tarde do último domingo, 19, quando a vítima estava em sua residência. Ele chegou a ser socorrido com vida por vizinhos, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no Hospital Geral do Estado (HGE), no bairro do Trapiche da Barra. De acordo com o relato dos parentes, por volta das 16 horas do domingo, dezenas de pessoas invadiram a residência do ex-cinegrafista da TV Gazeta, arrancando e arrastando a vítima de dentro da casa. Vizinhos do aposentado tentaram impedir a ação criminosa, mas foram ignorados pelo bando, que afirmou que Paulinho era suspeito da prática de pedofilia. ?Ficavam [os acusados] chamando-o de ?pedófilo, pedófilo?, mas falaram isso porque queriam chegar no meu pai de qualquer jeito. Eles estavam armando para roubá-lo desde a última sexta-feira. Foi muito brutal a forma como mataram o meu pai?, relatou o filho do aposentado, Ulisses Alexandre Silva. As primeiras informações dão conta que os agressores, que portavam arma branca e pedaços de madeira, arrastaram a vítima para um local próximo a um terreno baldio, situado no mesmo conjunto, e deram início ao espancamento. Paulinho teve um braço e a costela quebrados, o pulmão perfurado, além de vários ferimentos pelo corpo, principalmente na região da cabeça. ?O pior não aconteceu naquele momento porque uma viatura da polícia chegou e o bando fugiu. Ele ainda disse que não sabia o motivo da agressão e que ?mais de trinta homens? bateram nele?, contou Ulisses. MOTIVAÇÃO Um dos motivos da agressão defendido pela família é de que Paulinho pode ter sido vítima de latrocínio. ?Eles espancaram o meu pai e depois entraram na casa para roubar tudo dele. Levaram objetos, queimaram pertences e roubaram um dinheiro que ele tinha para levantar um cômodo em um dos terrenos que ele tinha perto da casa. Só não queimaram a casa porque ele morava de aluguel e o dono impediu que o dano fosse maior?, desabafou Ulisses. Os terrenos pertencentes à vítima também podem ter motivado o crime. Isso porque, segundo explicou a família, ele teria adquirido alguns lotes no Conjunto 1º de Julho e morava 10 metros de distância da área. ?Ele saía fazendo negócio com os moradores, comprando pedaços de terra e depois colocava em seu nome. Tudo muito certo e claro. Mas foi este terreno que várias pessoas tentavam invadir e ele não deixava. Sabemos que depois que o meu pai morreu, eles conseguiram ocupar o local. Ficamos sabendo dessa informação por outras pessoas, porque não temos coragem de ir lá. Só com a polícia?, afirmou o filho da vítima. Um empréstimo retirado do banco há poucos dias demonstrava a vontade de Paulinho em querer construir o seu local para aproveitar a aposentadoria. ?Ele queria fazer um cômodo para morar, ter sua própria casa, ter um local para cuidar. Mas olha a forma que ele foi morto, parecendo um cachorro que não tem família. Todos nós estamos tristes e revoltados com tudo o que aconteceu?, desabafou Ulisses.