Polícia
Casas para desabrigados eram vendidas ilegalmente
Quase sete anos depois, a enchente que deixou mortos, desabrigados e devastou cidades do interior deve assombrar Alagoas por um bom tempo. Ainda revela escândalos como a comercialização de casas que deveriam servir aos que mais precisam, aos que ficaram sem ter onde morar após as chuvas de 2010. Um trabalho conjunto envolvendo Polícia Civil (PC) e Ministério Público Estadual (MPE) desbaratou uma organização criminosa que pode responder por corrupção ativa, estelionato e peculato. A Operação Arca de Noé, deflagrada ontem em Murici, culminou com o cumprimento de três mandados de prisão temporária, quatro de condução coercitiva e três de busca e apreensão, expedidos pela 17ª Vara Criminal da Capital. O mais grave, segundo o coordenador do Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc), Antonio Luiz dos Santos Filho, é que há indícios da atuação da organização criminosa em outros municípios alagoanos. Ouvido pela reportagem da Gazeta de Alagoas, o coordenador do Gecoc reforça que as investigações continuam e que a prática criminosa pode ter se expandido para outras cidades afetadas pela enchente. ?Praticaram o mesmo fato em outros municípios. Isso não está sendo só em Murici, não. Estamos colhendo depoimentos?, disse o promotor. ?Ao que parece, são pessoas que trabalhavam ou trabalham e passaram pelo município, aproveitaram da situação para negociar esse tipo de habitação. Algumas figuras que trabalhavam no serviço público municipal se acharam no direito de praticar um tipo de estelionato junto a essas pessoas carentes. Foi uma investigação iniciada pela PC, que pediu ao apoio do Gecoc?, detalhou Antonio Luiz.