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Pol�cia Federal desarticula fraude

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Médicos, administradores e funcionários de clínicas oftalmológicas podem responder na Justiça por organização criminosa, estelionato qualificado e lavagem de dinheiro. Uma relação de crimes fez vítimas usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) que buscavam atendimento para tratamento do glaucoma. A situação é ainda mais revoltante porque alguns desses pacientes não tinham a doença. Eram usados apenas como meio para se conseguir mais dinheiro do Ministério da Saúde. Em coletiva realizada ontem, na sede da Superintendência da Polícia Federal em Alagoas, delegados apresentaram detalhes da Operação Holder, que investigou uma organização criminosa estruturada em torno de empresas que trabalham na área de serviços oftalmológicos. Para a execução do crime, a quadrilha utilizou estratégias que causaram repulsa até naqueles que encabeçam a investigação. Três integrantes do esquema foram presos ? dois em Alagoas e um em Goiás. Um deles é um médico que também não teve o nome revelado. ?Se dedicam a locupletar de recursos do SUS referentes ao Programa Nacional de Combate ao Glaucoma. Um dos ardis que mais provocaram repulsa e indignação foi o diagnóstico de glaucoma em indivíduos sadios, isso porque tinham o objetivo de repassar o máximo de colírios possíveis ? pagos pelo SUS ? para os pacientes?, contou o superintendente regional da PF, Bernardo Gonçalves de Torres. Ele acrescenta que uma das vítimas contou detalhes de como foi diagnosticada com a doença. ?Um desses pacientes, de 32 anos, que foi testemunha, foi diagnosticado como glaucomatoso em 2015 num mutirão em Barra de Santo Antônio e se verificou, recentemente, através de um laudo pericial, que o indivíduo não é portador do glaucoma, então, ele foi atendido como se fosse. Ele foi a algumas consultas depois e prescreveram colírios para ele como se fosse glaucomatoso, tudo isso usando verbas do SUS?, acrescenta Torres. Outra forma de conseguir mais recursos federais era prescrever colírios para o tratamento da doença além da quantidade necessária. ?Eram dois colírios por trimestre e [os médicos] costumavam prescrever três, onerando ainda mais o Sistema de Saúde. Outro ardil era prescrever o colírio de terceira geração, que custa muito mais, para pacientes que não precisam dele. Para ter uma ideia, o colírio de primeira geração custa R$ 18 e o de terceira aproximadamente R$ 205?, informou o delegado da PF.

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