Polícia
Presos passam fome e dormem no ch�o em delegacias de Macei�
Os presos estão passando fome e dormindo no chão em delegacias de Maceió. No 9º Distrito, as celas estão superlotadas e os presos que chegam estão sendo colocados no corredor de acesso à carceragem, onde não existe sanitário para necessidades fisiológicas ou um banho rápido, um problema que precisa de intervenção imediata por parte de entidades ligadas aos Direitos Humanos. Situação semelhante, vem acontecendo nas delegacias de Roubos e Furtos e Repressão às Drogas. Na Delegacia do 3º Distrito, o problema é de menor gravidade, mas as celas estão lotadas. André Luiz Feijó, 30, um teólogo que afirma ter sido detido por engano no shopping, na última quarta-feira, foi colocado no corredor do 9º DP junto com pessoas perigosas acusadas de crimes, inclusive latrocínio. ?Sou um cidadão de nível superior não deveria estar aqui?, protestou ele. As duas celas apertadas, onde deveriam haver, no máximo, cinco presos, está com o dobro. O delegado Aguinaldo Cardoso Ramos concorda que o principal problema da superlotação da distrital é a fome. Nem todos recebem alimentação dos parentes e boa parte precisa da ajuda dos policiais da especializada. Já os policiais admitem que estão pedindo esmolas para dois, pois estão recebendo péssimos salários. A intensificação do combate à violência, desenvolvido pelas polícias civil e militar, vem retirando dezenas de marginais, todos os dias, das ruas de Maceió. Só que não existe onde colocar tanta gente, admitem integrantes das duas polícias. O que deveria ser uma solução, tornou-se um problema, que precisa ser resolvido pelos setores de segurança pública do Estado. A Delegacia de Roubos e Furtos comporta, com dificuldade, 24 presos. Seriam oito em cada um celas. Hoje, tem 42. O delegado Jobson Cabral de Santana já solicitou a transferência para os presídios, pois o número não para de crescer. Tem preso com cerca de cinco meses recolhido na especializada, sem direito a uma alimentação decente ou banho de sol. ?A alimentação é pão e café, quando os policiais conseguem comprar?. O delegado lembrou que não existe verba específica na Secretaria de Defesa Social para alimentar presos em delegacias. A obrigação da Polícia Civil, destaca Jobson Santana, é a prática cartorária e encaminhar o caso à Justiça. Presídio ou liberdade Orlando Leite da Paz, recolhido a DRF, informou que a situação é precária e que os presos dormem um em cima do outro. Sem banho de sol há três meses ele apelou para que o coloquem em liberdade ou mandem para o presídio. ?Aqui, nem água tem?, frisou ele, que está sem contato com a família, desde que foi preso. Marcos Ferreira da Silva declarou que ?os presos da Roubos e Furtos são tratados como o pior cachorro, todo mundo sabe e ninguém faz nada?. Para comer, ele precisa dos favores de outro preso, cujo pai traz diariamente o almoço. Há problemas também no interior do Estado, o delegado regional de Arapiraca, Cícero Torres, cobrou, na semana passada, agilidade no processo de julgamento dos 54 detentos que superlotam as dependências da 5º Delegacia Regional de Polícia, projetada para abrigar apenas 28 pessoas. Ele avalia como ?insustentável? a realidade da cadeia, habitada por grupos rivais que lutam pelo espaço inexistente e constantemente promovem sessões de pancadaria, tendo como alvo detentos recém-chegados ao local. O clima na DRP de Arapiraca pode se complicar, nos próximos dias, em virtude da ocupação do Presídio de Segurança Média do município ter sido ocupado por 128 presos, transferidos do São Leonardo. É que os detentos da região esperavam que eles fossem colocados lá e, assim sendo, tivessem seu direitos garantidos e tratamento mais humano. Ala de custódia O secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino, concorda que o número de prisões tem subido, por causa do trabalho ostensivo realizado pela Polícia Militar. Ele anunciou, porém, que, em abril, o presídio São Leonardo já deverá ter uma ala de custódia, ressaltando que não será preciso mais autorização judicial para transferência do preso para penitenciária, desde que ele tenha sido autuado em flagrante ou tenha sua prisão decretada pela Justiça. A medida deve desafogar as carceragens de delegacias e possibilitar que trabalhos de investigações sejam feitos sem impor um sofrimento desnecessário para o suspeito. Outro ponto colocado pelo secretário é a questão da higiene. Não estando superlotadas, as delegacias poderão manter um padrão de higiene compatível com qualquer outra repartição pública no Estado.