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Conselheiros tutelares vivem sob ameaças feitas por traficantes

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Conselheiros reclamando da falta de segurança para cumprir suas atribuições não é fato novo. Há anos eles apontam a insegurança como um dos mais sérios obstáculos ao exercício do trabalho de proteger crianças e adolescentes em situação de violência, especialmente em Maceió. O problema é que a situação se tornou mais grave, ou praticamente insustentável. Agora, para entrar numa favela ou grota, o conselheiro tem que pedir permissão aos traficantes. Essa é uma situação preocupante, considerando que os casos mais graves de violência contra crianças e adolescentes estão exatamente nesses aglomerados. Nas grotas e favelas da capital vivem crianças de 4 a 8 anos de idade que, além de abusadas, estão sendo usadas como ?avião? do tráfico de drogas. Já os adolescentes, também abusados, são ameaçados de morte se não cumprirem as ordens de traficantes. ?Não dá pra entrar sem permissão. Quando tentamos, somos ameaçados?, diz o conselheiro Luiz Carlos da Apae, da Região Administrativa 2, uma das áreas de maior exclusão social da capital alagoana. O Conselho da RA 2 atende aos bairros do Centro, Levada, Vergel do Lago, Ponta Grossa, Prado, Trapiche da Barra e Pontal da Barra. No mapa de Inteligência das forças de segurança pública, esses bairros aparecem entre os que têm intenso comércio de drogas. Neles, o tráfico se espalha como uma epidemia. As crianças e adolescentes estão entre as principais vítimas. ?Frequentemente chegam aqui adolescentes dizendo que querem tratar a dependência, mas na verdade estão fugindo de ameaças de morte?, revela a conselheira Valmênia Santos, que preside o Conselho da RA 2. Num dos casos registrados ali, um adolescente entrou no conselho porque estava sendo perseguido por dois homens que ameaçavam matá-lo. Nessas situações, os conselheiros acionam a base comunitária da Polícia Militar. O problema é que, com apenas uma viatura, um número reduzido de militares e uma área extensa para acompanhar, a base tem dificuldades para atender com agilidade às situações de violência no Conselho.

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