Polícia
Se for deixar de trabalhar por causa de ameaça, é melhor deixar o cargo
O menino vivia com o pai, Luciano da Silva, conhecido como ?Mungunzá?, e com a madrasta, ainda não identificada, em um barraco na Favela Mundaú, na orla lagunar, submetido a tortura e maus-tratos. ?Além de espancar o menino, ele amarrava a criança pelo pescoço e a deixava dentro da lagoa. E ainda colocou pimenta nas partes do menino?, conta um morador, que prefere não se identificar. Revoltada, a vizinhança invadiu o barraco, tirou o menino e o levou para o Hospital Geral do Estado (HGE). Ainda mais revoltados, alguns foram além, espancando Mungunzá e a mulher, e queimando objetos que ele mantinha no barraco. Os dois conseguiram escapar da pancadaria e não devem voltar ao local. ?Ele já vendeu o barraco?, informa um dos vizinhos. O caso foi denunciado na delegacia do bairro, o que torna Mungunzá fugitivo da polícia. Desde então, Valmênia tem recebido telefonemas ofensivos e ameaçadores. ?Se um conselheiro for deixar de trabalhar por causa de ameaça, é melhor deixar o cargo?, diz ela, ressaltando que, como os demais colegas, vai continuar atuando em defesa das crianças e adolescentes.