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A CONFISSÃO DE UM ASSASSINO

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?Fui preso em 1990. Fiquei preso por doze anos em Pernambuco. Antes de ser preso, matei onze. Depois cheguei na cadeia no estado de Pernambuco e matei oito. Depois mais, e acabou que foram treze dentro do sistema prisional. Fora da cadeia matei onze, mas só fui condenado em nove. Matei vinte e poucas pessoas?, afirma Cabelinho. ?Eu me arrependi da morte do meu irmão. Ele estava preso comigo. Matou um rapaz que me chamava de pai, roubou um negócio meu aí fora também e mexeu com mulher minha. Ele tinha 23 anos na época. Um dia ele foi preso, e quando retornou ao sistema eu matei?, narra Erivaldo. O arrependimento por assassinar o irmão Marcelo não vem em forma de lágrimas ou voz embargada, novamente Erivaldo mantém a firmeza na entonação e o olhar fixo. ?Podia ser que eu não matasse ele hoje. Ele passou uns dias isolado, foi para o módulo onde eu estava. Avisei para minha mãe que ia matar ele, mas ela me disse que ele tava completando ano. Aí eu disse, ?então deixa ele curtir e amanhã eu mato?. Quando foi no outro dia, bem cedinho, eu matei?, conta. A reportagem perguntou se Erivaldo lembra quantas facadas deu no irmão. ?Acho que dei umas cem por aí?. E questionamos o que ele sentiu naquele momento: ?Rapaz, era como se eu tivesse com fome e tivesse almoçando. Matando minha fome. Tava me dando alegria, me fortalecendo. Quando terminou eu fiquei mais tranquilo ainda. Como se tivesse passado toda a raiva e tirado aquilo de mim?. O rapaz estava acordado, mas não deu tempo de pedir ajuda. ?Quando a pessoa vai matar não dá tempo não, porque a pessoa parte de uma vez para cima?, disse.

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