Polícia
Quintella: Baldomero tem seguran�a m�xima
FERNANDO ARAÚJO O ex-secretário de Justiça de Alagoas, Rubens Quintella, em cuja gestão foi inaugurado o Baldomero Cavalcanti, garante que o presídio alagoano é um dos mais modernos do País e merece a classificação de ?segurança máxima??. Quintella, que também foi secretário de segurança pública, acompanhou de perto a construção da penitenciária financiada com recursos do Ministério da Justiça e explica que do ponto de vista estrutural, o Baldomero oferece segurança total, sendo impossível a fuga de presidiários, a não ser que haja falha humana ou conivência do pessoal ligado ao sistema carcerário. ?Afora essa possibilidade, não há como fugir do presídio??, destaca o ex-secretário, cujo nome se confunde com a própria história da segurança pública no Estado. Assim como a totalidade da população alagoana, Rubens Quintella é contra a permanência do narcotraficante Fernandinho Beira-Mar e também não vê com bons olhos a construção de um presídio federal em Alagoas ou mesmo a federalização do Baldomero Cavalcanti para abrigar perigosos delinqüentes de outros Estados. ?Os presídios federais sempre atraem criminosos e bandidos de toda espécie, gerando intranqüilidade entre a população, que passa a se sentir insegura??, avalia o ex-secretário. Mas pondera que se o governo federal optar por Alagoas e esta for a decisão do governo estadual, o Baldomero tem condições estruturais de abrigar o rei da cocaína. Lembra que durante sua gestão no comando da Secretaria de Justiça não houve rebelião, motim, nem fugas naquele presídio, mesmo considerando a falta de recursos financeiros e de pessoal qualificado. Questionado se as fugas e rebeliões ocorridas recentemente no Baldomero Cavalcanti não poriam em xeque a segurança do presídio, Quintella explicou que nenhum preso tem condições de fugir de lá sem ajuda externa, o que implica em omissão ou conivência do pessoal ligado à administração da penitenciária. ?Desafio qualquer delinqüente a fugir do Baldomero Cavalcanti sem ajuda externa??, aposta Quintella ao enfatizar sua certeza na segurança máxima do presídio. Provocado sobre a existência de um túnel por onde fugiram dezenas de presidiários, o ex-secretário explica que a construção subterrânea serve para escoar águas de chuvas, não tendo qualquer ligação com os módulos carcerários. ?As duas bocas do túnel são fechadas com grades de ferro e para chegar até elas o preso terá que sair de suas celas e atravessar todo o corredor interno, o que é impossível de ocorrer sem que haja negligência ou mesmo conivência dos agentes carcerários??, explica Quintella, dando sua versão para as fugas que ocorreram até agora. Com relação às rebeliões e mortes, o ex-secretário afirma que essas insurreições só ocorrem quando não se respeita os direitos humanos e, nesse caso, independe da segurança estrutural do presídio. Estrutura Apesar de algumas entidades questionarem a segurança do Baldomero Cavalcanti, o ex-secretário de Justiça garante que o presídio é dos mais seguros do País. Com capacidade para abrigar 600 presidiários, o Baldomero é composto de módulos que abrigam até 25 pessoas, além de uma ala especial destinada a presos ?vips?? que aguardam julgamento. ?Toda estrutura dos módulos é de concreto armado nas paredes e no teto, com reforço no piso para evitar a escavação de túneis de fuga??, informa Quintella. Ele admite que a falta de chapas de ferro abaixo do piso dos módulos daria mais segurança mas garante que a estrutura de concreto dificilmente será rompida sem ajuda externa. ?Além da segurança interna ? revela o ex-secretário - com detetores de metais e circuito de TV, a penitenciária dispõe de cerca eletrificada e canil com corredores contornam toda a área carcerária do presídio. Externamente, o edifício é protegido por um muro de 8 metros de altura, com alicerce de concreto armado reforçado e guaritas nas extremidades que possibilitam a circulação dos guardas por toda a extensão da área??. Segundo Quintella, essa estrutura é suficiente para garantir o cumprimento de penas, mas precisa de pessoal qualificado e salários dignos para evitar a corrupção, que mina a segurança de qualquer estabelecimento penal. No caso de os governos estadual e federal decidirem federalizar o Baldomero Cavalcanti, há necessidade de se fazer alguns reajustes para adequá-lo às exigências de um presídio federal. Segundo Quintella, para abrigar presos perigosos como Fernandinho Beira-Mar será necessária a construção de novos módulos com chapa de ferro sob o piso para desencorajar a tentativa de fuga através da escavação de túneis. ?Acredito que com uns R$ 3 milhões de investimento o presídio estará pronto para ser federalizado??, prevê o ex-secretário.