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Sindicato pede cria��o de CPI para investigar roubo de cargas

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ANA MÁRCIA Instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar e prender as quadrilhas de roubo de cargas em Alagoas foi o apelo do presidente do Sindicato das Empresas em Transportes de Cargas de Alagoas (Setcal), Jurandir Dantas Neto, diante do vigésimo caso de assalto, este ano, ocorrido na madrugada da terça-feira, quando uma carga de ovos de Páscoa, que seria entregue no Estado, foi levada por bandidos, em São Miguel dos Campos. Só nos três primeiros meses do ano foram 19 assaltos a ônibus e caminhões. Segundo Jurandir, as quadrilhas estão tão bem organizadas que criaram um sistema de desativação dos rastreadores via satélite dos caminhões, algo que vinha garantindo maior segurança nas estradas. ?Estas quadrilhas estão mais organizadas do que as polícias, pois antes estes sistemas rastreadores via satélite, denominados GPS, eram trunfos contra assaltos para os empresários, que os contratavam ou mantinham um sistema próprio de monitoramento?, ressaltou Jurandir Dantas. Uma destas gangues foi presa em Pernambuco e se comprovou, mediante investigações policiais, haver ramificações dos bandidos em Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte e, principalmente no Ceará, onde estão os ?cabeças? dos crimes. Diante da gravidade do problema, Jurandir afirmou que os Estados do Ceará, Paraíba e Pernambuco resolveram investigar os constantes roubos de cargas, criando CPIs. ?Nossa entidade vê essa necessidade para Alagoas e reivindicamos aos poderes Executivo e Judiciário que se unam para fazer essa CPI?, disse o presidente do Setcal. Sem policiamento Um dos grandes problemas dos transportadores e caminhoneiros é a carência de policiamento ostensivo, num trabalho integral entre as polícias Militar, Rodoviária e Civil nas áreas onde ocorrem mais assaltos. Jurandir Dantas aponta o trecho da BR-101, na divisa de Alagoas com Sergipe, de Porto Real do Colégio a São Miguel dos Campos e no trecho da rodovia federal entre Delmiro Gouveia e Olho D?Água das Flores, se ramificando na divisa com Pernambuco, em Bom Conselho. Os assaltos têm encarecido os seguros de cargas e as companhias de seguro sobretaxam por área considerada de risco, entre as quais Alagoas. Para Jurandir, criando-se uma CPI é possível, ainda, haver uma sensibilização do Fisco no Estado. ?Sem a intervenção do Fisco, o trabalho da polícia fica um tanto obscuro, cada vez que chega um veículo com nota fiscal ?fria?, na divisa com o Estado, pois o Fisco, obrigatoriamente, teria de contatar a Delegacia de Roubos de Cargas Especializada, antes mesmo de cobrar o custo?, destacou. Em geral, depois de descarregar os veículos, os assaltantes os abandonam duas, três horas depois. Os motoristas sofrem abusos dos delinqüentes, sendo abandonados em canaviais, despidos ou alcoolizados, quando não perdem a vida. A entidade patronal tem recebido pressão do sindicato da classe, para procurar entidades que possam reprimir este tipo de criminalidade. ?Não queremos só a CPI, mas que a polícia equipe melhor a Delegacia de Roubo de Cargas, com um maior contingente e melhor aparelhamento. Isso envolve a interligação com outras delegacias do País para coleta de dados?, comenta Jurandir. Segundo ele, a Secretaria de Defesa Social tem um projeto de levar esta delegacia para São Miguel dos Campos, ficando às margens da BR-101, de forma mais estruturada, mas nenhuma providência foi tomada. O setor entende essa mudança como positiva, desde que se mantenha uma base da delegacia em Arapiraca, em parceria com a Delegacia de Roubos e Furtos.

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