Polícia
Testemunha do caso Bárbara muda versão
A primeira audiência de instrução do desaparecimento da estudante universitária Bárbara Regina Gomes da Silva, em 2012, foi marcada pela mudança do depoimento de Moab Lino Balbino Júnior. À época do sumiço, em interrogatório à Polícia Civil, ele apontou Otávio Cardoso da Silva Neto como autor de estupro, assassinato e ocultação de cadáver. Preso no Baldomero Cavalcanti, no mesmo módulo de Otávio, ele voltou atrás e negou todo o conteúdo do depoimento, que serviu como um dos pilares da acusação do Ministério Público. Segundo o promotor Antônio Villas Boas, isso em nada muda a convicção do órgão sobre o envolvimento de Otávio. ?Existem provas outras de sua autoria. Será o julgamento de um crime sem corpo, muito parecido com o caso [do goleiro] Bruno, onde a coleta de provas foi decisiva para sua condenação. Para nós, está mais do que claro que Bárbara foi morta porque se recusou a manter relações sexuais [com o suspeito]. Foi estuprada, morta com punhal e teve o corpo ocultado?, disse o promotor, durante intervalo da audiência. Depois de oito testemunhos, inclusive o da mãe da universitária, Valéria Silva, foi a vez de Otávio falar sobre o caso. Demonstrando tranquilidade, mesmo diante da leitura de alguns detalhes sobre o dia do desaparecimento da jovem, ele negou a autoria do crime. ?Sou inocente e nunca cometi nenhum crime contra a vida de ninguém. Naquela noite, saímos na mesma hora e ela me pediu uma carona para algumas quadras depois da boate Le Hotel. Ela desceu, atravessou a pista em direção a uma agência do Banco do Brasil e não a vi mais?, declarou Otávio. Ele também confirmou que, horas antes de depor, conversou com Moab no presídio. Os dois foram ouvidos por meio de videoconferência. Moab, por sua vez, está preso por envolvimento em roubo de carros, ao contrário de Otávio, que responde, exclusivamente, pelo crime.