Polícia
MÃE QUE MATOU FILHOS É CONDENADA
A doméstica Arlene Régis dos Santos, acusada de matar seus dois filhos de 7 e 12 anos, em setembro de 2009, em Maceió, foi condenada ontem a 80 anos de prisão por duplo homicídio qualificado. A pena será cumprida no Centro Psiquiátrico Judiciário onde a ré se encontra em tratamento desde o crime, por apresentar transtornos de personalidade, e até que novo laudo médico seja realizado. O julgamento de Arlene Santos foi realizado durante todo o dia de ontem no Fórum da Capital, presidido pelo juiz John Silas da Silva, titular da 8ª Vara Criminal. Depois de quase 11 horas de julgamento, a sentença foi proferida por volta das 19h40. Foram ouvidos no decorrer do dia três testemunhas, além do psiquiatra e psicólogo que acompanham a ré no caso. De acordo com a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), Arlene teria dado o medicamento Rivotril para os três filhos na noite que antecedeu o crime e na madrugada, por volta das 3h, estrangulou Antony Pedro dos Santos Nobre, de 7 anos, e esfaqueou Abelardo Pedro Neto, de 12 anos. Arlene tentou estrangular seu filho mais velho, Arlanicson Pedro, de 15 anos, mas desistiu porque ele teria acordado. O MPE afirma que Arlene cometeu o crime para se vingar do marido, de quem havia se separado há dois anos. Os peritos que realizaram exames psiquiátricos na acusada apontaram, no curso da instrução e no julgamento, que a ré tinha consciência do crime que estava cometendo. O psiquiatra Ronaldo Lopes, que atuou como perito do caso, esclareceu que a ré demonstrou total capacidade de entendimento da reprovabilidade do seu ato, no entanto possuía uma capacidade de autodeterminação reduzida, mas não ausente. Já o psicólogo José Adão Lima, que atuou em conjunto com o psiquiatra, afirmou que a ré agiu com ?consciência plena? do que fazia. ?Foram aplicados testes psicológicos e realizada uma entrevista clínica. Não se encontrou patologia, e sim conflitos intrapsíquicos?. Adão enfatizou que Arlene recordou de todos os detalhes da execução do crime. O promotor de Justiça Antônio Villas Boas afirmou que ?a ré agiu com premeditação e vingança, por não aceitar o término do relacionamento com o marido?. A defesa, no entanto, pediu a absolvição da ré alegando que ela estava ?possuída? e que agiu com ?perturbação mental e espiritual?. O advogado Cristiano Barbosa Moreira disse que Arlene não sabia o que estava fazendo. ?Não era ela naquele momento?, disse. Arlene Régis matou os dois filhos menores por vingança, segundo a promotoria. FOTO: FELIPE BRASIL