Polícia
Mulheres no comando do tráfico
O encarceramento de mulheres não se resume mais ? e apenas ? à prática de crimes passionais. Muitas herdaram e assumiram o tráfico de drogas em Alagoas, e esse delito é o principal motivo delas estarem cumprindo pena ou aguardando julgamento no Presídio Feminino Santa Luzia, em Maceió. Os números confirmam: 59,81% das presas estão ali porque seus nomes aparecem nas investigações policiais sobre a venda de entorpecentes. Estatísticas do presídio feminino de Alagoas revelam, ainda, que as mulheres encarceradas são ? na maioria ? jovens, têm filhos, sustentam a família, possuem baixa escolaridade e exerciam trabalho informal antes do aprisionamento. Cerca de 60% delas têm entre 18 e 29 anos e mais de 40% são solteiras. A carceragem é ocupada por pouco mais de 200 presas, população que cresceu mais de 100% em seis anos. As forças de segurança confirmam que as mulheres têm função específica dentro do tráfico. Dão ordens, cuidam da contabilidade do bando e muitas entram no crime junto com os parceiros. Quando presos ou mortos, a companheira assume a boca de fumo, os negócios, a liderança. Somente este ano, a Delegacia de Repressão ao Narcotráfico (DRN) deu andamento às investigações que apontam o envolvimento de pelo menos 80 mulheres no ilícito. O delegado Gustavo Henrique Barros, responsável pela DRN, que atua na capital e região metropolitana, afirma que as mulheres exercem de forma diferenciada a gerência desse tipo de crime, sobressaindo-se em relação aos homens. ?Primeiro que elas conseguem fazer tudo que eles fazem e, além disso, conseguem fazer melhor. Elas são mais organizadas, equilibradas e sensatas. Para um negócio tão violento e escuso como o tráfico, essas características são fundamentais para que obtenham êxito nas investidas?, narra o delegado. * Sob supervisão da editoria de Cidades Presas por tráfico de drogas são maioria no sistema prisional. FOTO: DÁRCIO MONTEIRO