Polícia
Arecippo nega omiss�o no processo das armas
FERNANDO ARAÚJO O ex-secretário de Defesa Social, procurador de Justiça Antônio Arecippo, negou, ontem, qualquer responsabilidade no caso da compra de armas importadas da Itália, pelas quais o Estado pagou 600 mil dólares, mas, até agora, não recebeu a mercadoria. Arecippo, que substituiu o delegado Mário Pedro no comando da Segurança Pública, foi acusado pelo antecessor de ter se omitido no caso, ao deixar de cobrar a execução do contrato à firma representante da Beretta e responsável pela importação das armas. Na resposta a Mário Pedro, o procurador de Justiça diz que a denúncia é uma tentativa de livrar-se das acusações que pairam sobre o ex-secretário de Defesa Social. Lembra que o Ministério Público começou a investigar o processo da suposta compra de armas italianas, desde março de 2002, e que o próprio delegado Mário Pedro foi alertado sobre o problema e informado da abertura de processo para investigar o caso. Antônio Arecippo lembra, ainda, que, durante o período de abril a julho de 2002, foram realizados dezenas de contatos com os representantes do fornecedor das armas. ?Nos diversos telefonemas para a Itália, obtivemos a confirmação de que os recursos pagos a terceiros jamais chegaram à fábrica italiana (Beretta), e, por este motivo, as armas não seriam entregues?, informou o ex-secretário. Ele destaca que, em razão disso, foi instaurado procedimento administrativo e requerido junto à 3a Vara da Fazenda Pública a indisponibilidade dos bens dos ?representantes? da empresa vendedora e requerida a prisão temporária de um dos sócios-gerentes que à época se preparava para fugir. ?À prisão do envolvido seguiram-se diversos contatos e negociações e, mais uma vez, o Estado foi enganado pelos fornecedores?, destaca o ex-secretário. ?Nada mais restou a este procurador de Justiça e então secretário de Defesa Social, senão oficiar ao Ministério Público, encaminhando elementos de convicção e requerendo providências?, escreve Arecippo, em sua resposta ao delegado Mário Pedro. Ele lembra, ainda, que, no dia 17 de dezembro de 2002, o Ministério Público propôs Ação de Improbidade Administrativa contra o ex-secretário Mário Pedro e mais oito pessoas físicas e jurídicas, a fim de resguardar o patrimônio público e apurar eventuais responsabilidades civis e criminais. ?Omissão e eventual dolo existiram na aquisição das armas sem os cuidados mínimos por parte do delegado Mário Pedro dos Santos, que, desde a assinatura da compra até o final de seu mandato, manteve-se silente quanto ao não recebimento dos armamentos. E mais: prestou contas à Secretaria Nacional de Segurança Pública em Brasília, como se as armas tivessem sido recebidas?, finaliza o ex-secretário Arecippo.