Polícia
Servidor da Ordem presta depoimento
Como parte do Inquérito Policial Militar (IPM) aberto pela Corregedoria da Polícia Militar de Alagoas, o funcionário da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AL) Geovânio da Graça foi ouvido ontem por oficial designado para acompanhar as investigações sobre abordagem da guarnição do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran) na frente do Fórum de Maceió, no último dia 6. Em entrevista à imprensa, Geovânio disse estar com medo de voltar ao trabalho. Ainda debilitado por causa do tiro que levou e que transfixou a perna direita, Geovânio afirma que precisa retomar a vida. ?Foi um susto, mas é assim mesmo. Quero me livrar disso, me recuperar para ir trabalhar. A OAB está me dando suporte, a população está ajudando. Só quero me recuperar e voltar ao meu trabalho que eu tanto gosto. Hoje tenho medo de voltar, sim, mas é assim mesmo. Vou fazer o quê? Tenho que seguir minha vida. Tenho família, tenho filhos?, afirmou Geovânio. Ele também negou que estava com uma faca, como foi dito pelo soldado Cyro da Vera Cruz ? autor do disparo ? em depoimento à Polícia Civil. ?Nunca teve abordagem como essa. Trabalho ali há 22 anos, desde a época que eu era moleque. Antes eu era flanelinha, hoje sou funcionário da OAB, há 11 anos. Não pediram (os militares) para tirar os carros, perguntei se iam multar, ele disse já multei. Foi quando a doutora chegou e pediu a chave para tirar o carro, foi quando ele já foi com ignorância com a doutora. Eu disse: ?Rapaz, não precisa disso, não?, foi quando os ânimos da parte dele e da minha também se exaltaram e começou a confusão?, explicou Geovânio. O advogado Fernando Guerra disse à Gazeta de Alagoas que Geovânio é um funcionário da OAB, não é manobrista, e que cuida do estacionamento. ?Estou acompanhando todos os procedimentos e tomando as medidas cabíveis para a apuração dos fatos. Nós estamos solicitando diligências às autoridades policiais, solicitando documentos junto aos órgãos de saúde que o atenderam após o tiro que ele levou, filmagens. Tudo para a boa condução dos procedimentos policiais e para que posteriormente a ação penal possa ter embasamento legal?, declarou o advogado da vítima. Em nota enviada à Gazeta, a assessoria de comunicação da Polícia Militar informou que, no último dia 8 de junho, o Comando Geral da PM, por meio da Corregedoria-Geral da Corporação, abriu um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar possível crime militar de lesão corporal grave atribuída ao militar integrante do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), que efetuou um disparo de arma de fogo na perna de José Geovânio da Graça.