Polícia
Beira-Mar tem liga��o com crime no NE
Editoria de Polícia A Polícia Federal confirmou a existência de uma conexão do narcotraficante Luiz Fernando da Costa, o ?Fernandinho Beira-Mar?, com o crime organizado no Nordeste. O esquema garante a lavagem do dinheiro do tráfico no Sul do País, além da distribuição de drogas e armas na região. A presença do bando de ?Beira-Mar? no Nor-deste foi identificada, segundo a PF, há dois anos, através de denúncias surgidas durante a CPI do Narcotráfico instalada na Paraíba. Um grupo de policiais federais de Paraíba e Pernambuco, que hoje está em Alagoas, revelou uma rota de tráfico e contrabando de armas, patrocinada por ?Beira-Mar?, naqueles dois Estados. Eles informaram que o transporte do material pode estar sendo feito de barco, saindo das praias de Pitimbu, na Paraíba, para chegar até Carne de Vaca e Pontas de Pedra, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. A distribuição de drogas e armas pelo mar teria sido iniciada no final da década passada, como forma de evitar as barreiras que a Polícia Rodoviária Federal mantém entre a Paraíba e Pernambuco. Pelo mar, onde a fiscalização inexiste, toda carga chega com risco mínimo. A Polícia Federal, através da assessoria de comunicação em Brasília, confirmou que há investigação sobre a estrutura mantida por ?Beira-Mar? na Paraíba, principalmente para lavagem de dinheiro, e em outros três Estados: Mato Grosso, Rio de Janeiro, Minas Gerais e ainda no Distrito Federal. O deputado federal Luiz Couto (PT-PB) foi quem denunciou o esquema do narcotraficante, durante a CPI paraibana que investiga ações de grupos de extermínio naquele Estado. De acordo com ele, o traficante possui dezenas de imóveis em João Pessoa, a maior parte em nome de laranjas. Inclusive, no interrogatório que prestou na CPI da Câmara, ?Fernandinho Beira-Mar? declarou que parte do seu dinheiro era fruto de um armazém de construção que mantinha na Praia do Poço, no litoral paraibano. Duas irmãs de ?Beira-Mar? e a ex-delegada da Polinter Maria Rodrigues foram presas em João Pessoa, em 2001, acusadas de colaborar com o esquema imobiliário. Maria está em liberdade condicional. Policiais federais revelaram também que a ofensiva da polícia na região do Polígono da Maconha, no sertão de Pernambuco, causou uma debandada de traficantes que atuavam no local. Os produtores da droga escolheram a Paraíba como novo ponto para o plantio da erva, alugando pequenas propriedades rurais e aliciando os agricultores locais, em troca de parte do faturamento gerado pela plantação. Testemunhas que depuseram na CPI instaurada pela Assembléia Legislativa da Paraíba revelaram as normas impostas pelos traficantes, lei do silêncio: ?quem fala, morre?. O agricultor Luiz Couto vive sob escolta permanente da PF, após denunciar vários traficantes. Ele teve a cabeça colocada a prêmio pelos traficantes pela quantia de R$ 3 mil. Para tentar mais depoimentos, a Secretaria Nacional de Direitos Humanos deve estender o Programa de Proteção às Testemunhas também aos detentos. Pelo menos um presidiário foi morto, este ano, por ter revelado pormenores do esquema de plantação de maconha na Paraíba.